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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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AS PRÉ-ORIGENS DO TEATRO PORTUGUÊS


Fazemos hoje uma breve alusão a Henrique da Mota, autor de uma conjunto de textos para-dramáticos, que podem ser considerados como origem ou pré-origem histórica do teatro português, isto porque, em rigor e sublinhando que pouco se sabe da atividade de Henrique da Mota como dramaturgo, não haverá dúvidas no que respeita à pré-produção de obras que, no que toca ao teatro, são menos inovadoras e muito menos significativas do que as pecas de Gil Vicente, este tradicionalmente consagrado como o iniciador, digamos assim, da dramaturgia portuguesa… Na verdade, basta lermos a obra vicentina para confirmar a existência mais do que provada e consagrada de textos dramáticos e espetáculos anteriores. Mas não e este o tema que hoje nos ocupa…

No entanto, a própria consagração da qualidade da obra vicentina em si mesma justificaria esta consagração iniciática de Gil Vicente, o que não significa, insista-se, que não haja antecedentes históricos e/ou estéticos. Basta nesse sentido evocar a potencialidade cénica de textos e espetáculos que estão sobretudo devidamente documentados pelo menos desde finais do século XII.

Recorda-se uma vez mais, designadamente, a doação, em 1193, de D. Sancho I aos histriões Bonamis e Acompaniado, de terrenos em Canelas de Poiares do Douro e da quitação que ambos agradeceram com um chamado arremedillho, texto-espetáculo que à época era consagrado e consagrador.
Diz Santa Rosa de Viterbo que os dois beneficiários da doação régia escreveram como uma espécie de documento de quitação: “Nós, mimos acima referidos, / devemos ao Senhor nosso Rei / um arremedilho para efeito / de compensação”

E citamos agora Teófilo Braga na sua consagrada, mas hoje algo “esquecida”, História do Teatro Português:
“(…) começaria o teatro português pelas pantomimas rudes, e não conheceria nunca o nosso povo outra forma, por isso que a única designação dramática inventada por ele foi a palavra bonifrate (nome puramente português dos espetáculos a que os espanhóis chamara títeres e os franceses “marionetes”.
Aliás, em rigor, essa constatação remete para muito antes do tantas vezes chamado “fundador” do nosso teatro (digamos assim) Gil Vicente, cujo iniciático “Monólogo do Vaqueiro” data de 1502.

E remete-se para a “História do Teatro Português” de Luciana Stegagno Picchio, para quem “o Arremedilum, longe de ser urn sinónimo de entremez ou farsa e de provar a vetusta existência de um género típico dramático português equivalia, pelo contrário, no documento de 1193, a imitação burlesca prometida ao soberano por jograis remedadores, isto é, bobos cuja especialidade consistia em ridicularizar o próximo, macaqueando-lhe o semblante” nada menos!

E cito novamente, para por agora terminar, o comentário que faço na minha “História do Teatro Português”:
“Tenhamos presente que o documento em causa qualifica o autor-ator de histrião ou bobo. A perspetiva abre caminho para duas grandes manifestações paradramáticas, onde, tal como certamente nos arremedilhos de Bonamis e Acompaniato, a criação de texto se misturava com a improvisação de espetáculo: fórmula aliás perene e essencial ao longo de toda a História do Teatro”.

Mais haveria a dizer, e outros autores devem ser citados: e é o que faremos em outro artigo.

DUARTE IVO CRUZ

5 comentários sobre “AS PRÉ-ORIGENS DO TEATRO PORTUGUÊS

  1. Deixo os registos mais antigos de Histrões, não aparece nada relativo a Sancho I, existe sim à Bohémia, aos Turcis, e a Roma, a tal pré história do teatro. É melhor guardar esta informação, assim podem sempre apresentar dados reais dos temos da pré história e não de Sancho I, falo de 1500 e do tempo de Cesares de Roma

    Omnium gentium mores, leges [et] ritus …: a Ioanne Boëmo .
    Johannes Boëmus · 1540
    … quia nihil iam a Turcis lu diõibus distarét , Hiftriões appellati fint , quia He Hiftriões . trusca uoce Hifter ludio uocaret . Hi deinceps no inconditum & rude carmen …

    Nestoris nouariensis uocabula suis locis [et] secundum …
    Nestor Dionysius · 1506
    Fefto : huiusmói scenici hiftriões a noftris lumég iuuentæ .Purpureum & lætos oculis af . uocati funt : quia primus : qui hancartem Romæ flarat honores .

    Hoc in uolumine haec contine[n]tur. Pomponii Epistola ad
    Gaius Crispus Sallustius, ‎Marcus Porcius Latro · 1506
    Quia ergo qdiuuar : qd ‘ elt charú æstimat conuiuia delicata parenc : nechabuifle hiftriões : id semp faciât : amét : potét : ubi adolescétia habue …

    Marius oftédere uulc ftudium fuú gloriæ diuitiarum:arma nó fuppelectilem deco cupatum:& ideo non habuiffe coquos: qui fibi riesse. Quia ergo qdiuuar:qd’ elt charú æstimat conuiuia delicata parenc: nechabuifle hiftriões: id semp faciât:amét:potét:ubi adolescétia habue, qui fibi in conuiuiis:cantibus:& geftibus iocula recibi senectutéagát:in cóuiuiis dediti uétri:& tur nem ullam:neqs pluris precii coquúğ uillicum písfimæ pti corpis:sudore:puluere: & alia calia no habeo:nó pluris æftimo hifttionem aut coquú bis relinquant:quibus illa epulis iucundiora funt, quillicum. Hiftrionem.Hiftriões dicebant. Verum noitaest:ná ubi se flagitiis dedecorauere imitabant:fic di&i: quia hi primum de Hiftria turpislimi uiri bonoium præmia ereptum cunt; generuntut alt Feftus Pompeius. Sed histrioné ita iniustiflime luxuria & ignauia peflimæ artesil. diis potentum

    tradução latim arcaico

    Mario oftédere uulc ftudium cheio de riqueza, graças às armas fuppelectilem cupatum fervido e, portanto, habuiffe cozinheiros que conhecem Riessia. Desde então qdiuuar, qd dt chart prevê as partes delicadas parenc: nechabuifle hiftriões, eles sempre tentam fazer um filme, você pode, onde a adolescétia teve que se reunir em festas particulares, cantando, e o captor YAK recibem senectutéagát em cóuiuiis viciado uetro, e ser um fim qualquer: neqs mais valioso coquúğ uillicuml písfimæ corpo enganado para suar, poeira e outros calia não tem: não mais æftimo hifttionem cozinhar duas vezes ou abandono com o qual as manchas são satisfatórias, quillicum. Hiftrionem.Hiftriões disse. Mas noitaest Na dedecorauere quando aqueles mais imitados, portanto, deuses e eu sabemos que eles são as primeiras Hiftria turpislimi recompensas para os homens de bem roubarem; generuntut alt fefto saber. Mas jogadores como motim iniustiflime e culpam peflimæ artesil. deuses poderosos

    João Felgar

  2. Aqui falam no teatro e os intervenientes e de Cicero de Roma, a tal representação teatral que se espalhou pela Europa e Roma teve um papel extramente importante.

    Henrici Cornelii Agrippae Ab Nettesheym, De incertitudine et
    Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim · 1539
    Hinc hiftriões non Ciceronis par in precio habitos legimus , cõstata referéte Ma cum Ro . crobio , Ciceronē cũ Roscio hiftrionc , g etiã Syllae Scio hiftri dictatori

    Capítulo 20. Estes ftrioni

    Imitação Iftrionica faltatio ou um demônio. ca faltario ftrationis arrificiü é, o assunto é com a mente cöcepras des

    CETI gefticulatione explicando os: ta maus hábitos e afetos, oēsrepresentas cue Pepi I clara e distintamente, como um espectador ois hiftrionê se não se falasse com ele, morrer de uma série de ônibus & gefticulariõibus CLARLOUGHEASK são para entender. Tmpftar em. ftrionica para que nenhum prfus seja necessário interpretib “, tão apropriadamente um velho, uma jovem, dizem, a empregada, bêbada, zangada, as diferenças frontais de oTm e gesticulações emocionais da cauda representam seu mesmo espectador alongado argumento tiõcillius intelligar.

    Hiftriões Cícero aqui não tem o valor de ajudá-los a ler, MA, com um júri de referência reforçado. crobio, Evelyn Shirley Shuckburgh cũ Roscius hiftrionc, g é para Sylla, o Ditador e chariffimus hiftri Eu sei que foi, conredum folitis, se ele vai se certificar de faepiùs eandê fententiâ vários geftarum que se deva fazer, ou EN. ! pronunciado em matéria de fornecimento de um ipleg eloquétiæ diferente. é melhor dotado para: Ores Roscius, que foram usados ​​como o Livro de cöfcriberet, em g cloquentiācõpararet cũ de atores deve. Verso lienfiú cidade de Malli, tefte Valerius, um descendente da tamanha gravidade do homem cuftos levantou-se, de modo que ninguém adicühistrionibus gozo, aec-atores e, porque é, na maior parte da ftuproruna sonrinerent os argumentos do ato de Çorum, para que ele não faça compostos, por olhar para o cösuerudo, do fundo da licença do facerec até mesmo para cumprimentá-los. Assim, é adequado para uma coisa estar no palco, no entanto, taxa de ocupação fcelefta é feio e sozinho, mas também cöfpicere e demônios flagitiofum encantados desde lasciuičtis de oblectario CADIC em homens CRI. No Denig é füir outrora famoso por hiftrionum, aclegis ipfis arcebantab homenageia a história de quicung falcalientin theatre.

    Officinae Ioannis Ravisii Textoris epitome… (H. Laberii De …
    Jean Tixier Textor · 1572
    vbiarmatam à Pyrrhica distinguit , quas tamen eafdem effe fentit do & tissimus Budæus , i quo bonam horum fragmentoru partem emendicaui Eft & alia faltacio . quz Eumelia dicitur , id eft pacata . Produnt historiæ Ronianorum hiftriões pulsos …

    Produnt historiæ Ronianorum hiftriões pulsos Italia à Nerone, quum propter cos variæ factiones Ortæ effent; & adeo vehementes, vt ad compefcendam fautorum contentioné milites theatro aflidere juberentur. Vnde &Traquil lus Pantomimorú,inquit fa&iones fimul cum iplis relegatæ Kæ, ftituti sunt demú per Neruam,fed iteru: poftea sublaci a Traiano, : Paris histrio,liberrus fuit Domitiæ, Neronisamitæ, qui folicus erat luxus Neronis intendere tempore conæ, ciusque animú de mulcere autoreCor. Tacito. De hoc intelligit luuena. Esurityin, ta&am Paridi njfi vendit Agauen, &c. Tranquillus ait eum à Ne rone occifum quasi grauem aduerfarium. Idem fcribit Domitia. num repudiaflewxorem, Paridis hiftrionis amore perditam, i..

    tradutor latim arcaico

    Traem os cônjuges Romanorum hiftriões então fora da Itália por Nero na história da, porque ele por conta das várias facções da Orta effet; E tão intenso, que para compefcendo apoiou a contenção soldados ordenaram aflidere teatro. Daí, Traquil lus Pantomimorú, diz ele, partiu junto com ipliu exilado ao KAE, sobre o qual estão por fim pelo nervo óptico, mas novamente, com: poftea Sublaci ao império ,: Paris, ator, a estar em perfeita liberdade era de Domitia, Neronisamitæ, que Folic havia um luxo de Nero, ela atendeu até a época da cona, o dever da mente prestes a acariciar autoreCor. Tacito. Este é o jovem. Esurityin, quarto e vendedor njfi em Paris Agauen, Sec. Não tire a coroa dele para um curto aduerfarium são mortos. Fcribit mesmo Domiciano. se repudiaflewxorem Chast hiftrionis amor perdido, eu ..

    João Felgar

      1. Senhora Rosário, não entende mesmo nada, o conhecimento é tudo isto, são livros com trechos que mostram onde apareceu o teatro, e não no tempo de Sancho I rei de Portugal, ou seja Henrique Mota, não sei onde foi o seu conhecimento para afirmar tal coisa, em tudo na vida é preciso provar e facultei as fontes do pré teatro que com certeza vem de Itália de Roma, com os conhecimentos das artes do brincar com as palavras.

        Por isso trago trechos para mostrar que a verdade nem sempre é aquilo que julgamos.

        O conhecimento das artes, é vasto, não são só livros, são formas de comportamento que vem enriquecer todo o processo de aprendizagem da arte.

        Se não entende o conceito na qual estou a mostrar outra realidade, não posso fazer mais, tenho pena, o Teatro é a forma pratica de criticar o sistema, as elites e na Inglaterra com william shakespeare, foi a forma mais elaborada de termos o Teatro como o conhecemos, se o Sr. Teophilo Braga foi beber o conhecimento aos Ingleses, é possível.

        Não sei.

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