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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Lista de artigos

Preservação da Língua

Apesar de idioma oficial (artigo 11.º, n.º 3 da nossa Constituição), é preciso preservar a língua portuguesa, dando cumprimento ao art.º 9.º, alínea f) da lei constitucional, ao declarar tarefa fundamental do Estado “Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa”.    Usá-la é um direito […]

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Entre a Confiança e o Pessimismo

Na sua autobiografia “Trilhos – Memórias. Por vezes, quase um diário”, escreveu Luís Valente de Oliveira: “Num dos anos, juntei num almoço os Professores Agostinho da Silva e António José Saraiva. O primeiro não precisou de estimulação para dizer o que pensava e debitou durante mais de uma hora, sem interrupção, as suas ideias entusiastas […]

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Biblioteca Pública Municipal do Porto © José Coelho/Agência LUSA

Bibliotecas pessoais e ecrãs viciantes 

1. Porque pessoais, tais bibliotecas pretendem ser o retrato mais credível e fidedigno do seu criador, nomeadamente sendo um leitor de livros comuns, e não de bibliófilos colecionadores de raridades.    Em todas há um padrão, podendo ser universalizantes, multidisciplinares, de direita ou de esquerda, entre várias linhas divisórias, associadas a espólios onde pontuam figuras da […]

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Como são belos os campos…

1. Se é um lugar-comum que os campos nunca proporcionaram a felicidade aos indígenas e legítimos habitantes (os camponeses), dado estarem factual e maioritariamente associados à pobreza, sobrevivência e subsistência esforçada, trabalho penoso e pesado, como se justifica que deles se tenha construído, ao longo dos tempos, um imaginário encantatório, bucólico, puro e estimulante?     […]

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A leitura como um exercício de profundidade

1. Se há humanos insensíveis ou apáticos, há-os que espiritualizam e animam todas as coisas, desde os seres animados aos inanimados, com eles interagindo numa fértil imaginação e sensibilidade.Todos os dias, meses ou anos, nasce um longo, ininterrupto e permanente contacto que cria afeição e amizade pelas coisas, em especial algumas, como o lar onde […]

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Leão Tolstoi

Intelectualismo e Anti-Intelectualismo

1. Os intelectuais seculares proclamavam, “ab initio”, um especial fervor pelos interesses da humanidade, um dever caritativo de a fazer progredir, mediante ensinamentos e orientações, iluminando-a com o conhecimento produzido pela filosofia e ciência, não se sentindo limitados pelos cânones da autoridade exterior, manifestada pela herança da tradição ou estrutura de qualquer religião revelada.   Não […]

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Peregrinação à Ilha de Cítera de Jean-Antoine Watteau

Romancear a Natureza

Romantizar a natureza é despi-la do caos, do horror, da violência, da força bruta no seu estado natural e puro, do seu poder altivo, indomável e inconquistável, através de calamidades, cataclismos e catástrofes. É retirar-lhe a lei do extermínio, do medo, do leviatã e da selva em terra, nos mares e nos ares, proibir abater […]

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Cadavre Exquis (1948), Grupo Surrealista de Lisboa - CAM Gulbenkian

Pensar diferente

O poder do pensamento humano e da nossa imaginação não é feito de armas, mas sim de capacidade argumentativa, criativa e inventiva.  Os seus portadores são poderosos de pensamento e espírito.  E se o pensamento e o espírito, na sua essência, são livres e ampliam a nossa mundividência, é porque são dotados por uma natureza […]

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Guernica de Pablo Picasso, Museu Rainha Sofia

O figurativo e o abstrato nas artes

Quem hoje é apreciador zeloso ou se pronuncia a favor da arte figurativa é considerado antiquado ou pouco versado em matéria artística. Sempre se ouviu, em questões de gosto, que a arte figurativa já não se usa, porque ultrapassada, preferindo-se a abstrata (para uns), sendo esta tida como incompreensível, dado que as pessoas, em geral, […]

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Epidemia da solidão e desumanização tecnológica?

1. A velocidade transformadora da tecnologia acelerou a impessoalidade.  Para David Byrne, as relações interpessoais foram asfixiadas e abolidas  pelo progresso tecnológico, em nome da eficiência e produtividade. Lojas sem empregados, encomendas na Amazon, o streaming da Netflix e da Spotify, aplicações como a Uber, a Alexa e a Siri, suprimiram as interações com assistentes, […]

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