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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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FIM DO CRISTIANISMO NA EUROPA? .3

 

1. Ninguém pode negar que o cristianismo histórico é responsável por crimes, tragédias, barbaridades. Não duvido de que houve muitos para quem teria sido preferível não ter ouvido falar de Deus nem de Cristo, tantos foram os horrores cometidos em seu nome. Mas, no cômputo geral, estou convencido de que o positivo supera o negativo. Ainda hoje a Igreja presta serviços incalculáveis aos mais pobres e fracos em toda a parte… E é a multinacional do sentido, Sentido último.

Cito Antonio Piñero, grande especialista em cristianismo primitivo e agnóstico. Depois de declarar que Jesus afirmou a igualdade de todos enquanto filhos de Deus, escreve que, a partir deste fermento, “se esperava que mais tarde chegasse a igualdade social. Se compararmos o cristianismo com todas as outras religiões do mundo, vemos que essa igualdade substancial de todos é o que tornou possível que com o tempo se chegasse ao Renascimento, à Revolução Francesa, ao Iluminismo e aos direitos humanos. Isto quer dizer: o Evangelho guarda, em potência, a semente dessa igualdade, que não podia ser realidade na sociedade do século I. O cristianismo está, à maneira de fermento, por trás de todos os movimentos igualitários e feministas que houve na História, embora agora não o vejamos claramente, porque o cristianismo evoluiu para humanismo. Mas esse humanismo não se vê em religiões que não sejam cristãs. Ou porventura o budismo, por si, chegou ao Iluminismo? O xintoísmo? O islão? Os poucos movimentos feministas que há nas religiões estão inspirados na cultura ocidental. E a cultura ocidental tem como sustento a cultura cristã. Embora se trate de uma cultura cristã descrida, desclericalizada e agnóstica, culturalmente cristã.” O mesmo dizem muitos outros filósofos, incluindo agnósticos e ateus.


2. A pergunta é: Ainda será possível hoje ser cristão na Europa?

Tudo tem de começar por uma experiência, como sucedeu com os primeiros discípulos e comunidades. A experiência de abertura ao Mistério e à Transcendência e a oferta de esperança, alegria, futuro e sentido pleno para a existência. Essa experiência de vida humanamente realizada, na justiça, na solidariedade, no perdão, no combate por um mundo melhor, dá-se num encontro de fé em Jesus, que revela que Deus é Pai/Mãe, Amor incondicional e que dá a salvação, Sentido último. Mesmo os que já são baptizados, a começar por cardeais, bispo e padres, têm de perguntar a si mesmos se fizeram ou não esta experiência e se, através dela, podem responder: “Isto é bom para mim. Para mim”. Haverá conversão e começará então a verdadeira reforma da Igreja, que só pode ser uma Igreja de voluntários e que dá testemunho do melhor, do Evangelho, notícia boa e felicitante.


3. O cristianismo não é um sistema religioso nem pode ser uma obrigação, implica sim um caminho para uma vida com dignidade e sentido. Também não é, em primeiro lugar, um discurso, mas um percurso de vida. Como dizia Simone Weil, a filósofa mística, “onde falta o desejo de encontrar-se com Deus, não há crentes, mas pobres caricaturas de pessoas que se dirigem a Deus por medo ou por interesse.”

Mas o ser humano também é racional e, por isso, o cristão precisa de dar razões da fé e da  esperança. A fé não pode agredir a razão. Por exemplo, o modo como se tem apresentado o pecado original é incompatível com a evolução. Não se pode continuar a baptizar para “apagar a mancha do pecado original”. A morte de Jesus na cruz não foi querida por Deus, ofendido pelo pecado e exigindo uma reparação infinita. Isso contradiz o Evangelho: Deus é Amor. O que é pecado? O que prejudica as pessoas, o que lhes faz mal. Na celebração da Eucaristia, não se pode continuar a pregar de tal modo que subreptícia e inconscientemente se instala a ideia de uma presença física de Cristo: impõe-se entender a distinção entre presença física e presença real, pois é bem sabido que podemos estar fisicamente presentes e realmente ausentes, quando, por exemplo, não há amor. Só exemplos.


4. Jesus não fundou a Igreja-instituição que temos. Ele anunciou, por palavras e obras, o Reino de Deus, força de transformação do mundo a favor de todos, começando pelos mais frágeis e abandonados. É claro que não se pode ser ingénuo: alguma organização é precisa. O problema está em que, contra a vivência das primeiras comunidades, organizadas carismaticamente, se foi instalando uma organização de poder e já não de serviço. Na Igreja, sempre houve carismas, funções, serviços, ministérios. A ruptura deu-se, quando, contra o Novo Testamento, que até evitou a palavra hiereus (sacerdote que oferece sacrifícios), apareceram ministérios com uma ordenação sacra, que faz com que o padre e o bispo se transformem, dir-se-ia, ontologicamente, implicando uma distinção essencial, não só de grau, entre o “sacerdócio dos fiéis” e o “sacerdócio ordenado”. A Igreja ficou então dividida em duas classes: o clero, que manda, e os leigos, que obedecem.

Esta é a raiz da “peste” do clericalismo, pois só o sacerdote ordenado pode presidir à Eucaristia, só ele, “senhor de Deus”, perdoa os pecados…, e a autoridade na Igreja pressupõe a ordenação sacra. Esta sacralização levou à lei do celibato e à exclusão das mulheres…

É urgente a renovação da Igreja como instituição, mas ela estará bloqueada enquanto se não superar o equívoco da ordenação sacra. Devem existir ministérios ordenados — na Igreja é preciso um ordenamento —, mas sem ordens sacras.

 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 6 MAR 2021

2 comentários sobre “FIM DO CRISTIANISMO NA EUROPA? .3

  1. Mas, no cômputo geral, estou convencido de que o positivo supera o negativo.

    Nesta sua frase, não posso concordar consigo, no cômputo geral e falo contra mim, contra a minha família, que muitos santos e mataram muita gente em França, Espanha em nome de Deus, o positivo que vê é a obra nesta República, tivemos 700 anos de barbaridades em nome de Deus e Christo. Não me obrigue aqui a colocar os milhões de pessoas que morreram para Igreja ter património em Jerusalém e Bizantino.

    2. A pergunta é: Ainda será possível hoje ser cristão na Europa?

    é possível, deste que a estrutura da Igreja Católica mude completamente e aceite a sua história e seja humilde, os bispos, cardeais são pessoas e não Deuses, são tão importantes que nem os vejo, veja bem.

    3. O cristianismo não é um sistema religioso nem pode ser uma obrigação, implica sim um caminho para uma vida com dignidade e sentido.

    Pois tem razão, mas são tudo palavras e boas intenções, o cristianismo nasceu para ajudar os outros, a Igreja em vez de ajudar os outros, criou ordens religiosas que imponham o vosso poder celestial, tenho pena, tenho.

    vou contar vos duas histórias, eu fiz a minha primeira comunhão quando era novo, noutra região onde não vivia lá foi muito desagradável, onde vivia o padre supremo achava se no direito de proibir que as crianças realizassem comunhão noutra terra, porque a minha família não ia todos os dias à missa, a partir daquele momento comecei a ter raiva pela estrutura da Igreja. Já nem fiz o crisma, nem nada, acabou. Finito.

    Depois outra situação recente, a minha companheira não podia ser madrinha de um sobrinho de Sangue, porque o Padre e Bispo, decidiram serem Deuses, proibiram, então para contornar a situação foi se ao Porto a outra religião e ai aceitaram. Eu tenho muitas situações e falam do cômputo geral.

    Aquando da existência da implementação da Monarquia em Portugal, eu vou juntar todos os males que os homens Deuses fizeram e expulsa los daqui para fora. O cristianismo está na bondade das pessoas, na interajuda das comunidades, esta Igreja tem homens que são Deuses e vão todos para o Paraíso e devem ir.

    4. Jesus não fundou a Igreja-instituição que temos. O problema está em que, contra a vivência das primeiras comunidades, organizadas carismaticamente, se foi instalando uma organização de poder e já não de serviço.

    A ruptura deu se quando a Igreja se juntou aos Turcos em 1522, a ruptura foi aqui, partir deste momento, meteram na política, começaram a insurgirem se contra os Estados, excomungaram muitos reis Portugueses, Espanhóis, Franceses e foram católicos alguns mas o resto foram reis Judeus.

    Reis Judeus e ainda tenho muito mais registos

    IN CANTICA CANTICORUM. Abraham Aben Ezdra. Venetiis. . .Hebræi. .R.Salomon Jarchi Gallus, cujus Comment. Conrad. Pellicanus Latinè rcddidit. Trium Rabinorum Commentaria , Gilberto Genebrar do Thcologo Parisiense interprete, cum observatio. nibusejusdem. Parisiis. 1570. in 4. An. Chri. Alcuini five Albini libri quinque. Parisiis. 1568. Ambrofius Mediolanensis Epifcopus, Tom.5. Operum. 380. Romæ. 1585. Angelomi Galli, Monachi Lixoyicnsis ftromatica expla-830. natio. Colon. 1530. Anselmus Cantuariensis Archiepifcopus, lib. 1. Colon. 1080,1573. Aliqui hunc Comment. adscribunt Anfelino Laudunensi, sub cujus nomine etiam prodiit Parisiis, 1550.420.Aurelius Augustinus dc loco cap. 6. Sexaginta sunt Reagina. Tom. 4. Operum , in Quæstione 83. Bafil. 1529.1569.

    Regum Francorum DAVID BLONDELLvs in libro fub tit. Genealogiac Francicae plenior i affertio; Ducum Sabaudiae s AM. GVICHENON dans l’histoire genealogique de la royale Maison de Savoye

    Honor Regis judicium diligit ; and over his head, Rex David. Beriālus, i. Rex; & per aph. Hebr. Siloh, Gen.49. Judæorum Rex: velut Lat. Silius à Bafilius. Atqui ficut ab ios Auxisse reormaos, ita ab ejus derivato 6105, i. folus(S.141.) ema- 148 naffe certum eft Græc. oños, totus, unde non solùm gókos, i.discus, apud Screv. sed & xómos, magnus, Hebr. KOL, & Lat.Solus ( Ital. & Hisp. solo, Gall. seul, Angl: Self, Belg. Selve , self, & selfs , Germ.sellijft , & selber) olim ex Festo sollus, quod ofce dicebatur id , quod nos totum vocamus, unde sollers, & follemnis ; aliis folers , & fo- lennis, quode fusè ‘ Voffius

  2. Aqui mostra que o Jacques de borbonnis filho de sultão solimanus excomunga os reis luteranos e judaicos da Germaniae e Hispani, um turco faz isto, a Igreja nessa altura estava em Bizantino na zona dos Turcos, coabitavam entre eles e excomungam outros povos. É triste.

    Hoc quod nunc dicetur,nemo credet fortaffe,Pontifici adeo non fuisse curæ exercitum iftum,vt sub vrbis expugnationem ipse in ædem diui Petri descêderet, spectaturus sacrum, & nuntiātes expugnationem primum rideret,donec hoftes in ipsum templum irruerét, nimium certe fretus Apostolico ful mine,quòd nudiuftertius in aduenientes iaculatus fuerat: in cuius execrationis diplomate hæc lecta sunt verba,
    Excommunicamus Carolum dictum Borbonij ducem,& exercitum eius, partim ex Lutheranis, partim ex Marranis constantem. Significabantur autem Lutheranorum nomine Germani,vt Hispani Marranorum

    Aqui falam das ligações de sangue de reis judeus na Europa com Portugal como primos.

    1703 Maio 16 – Sacram Regiam Majestatem Portugalliæ Regemque Christianissimum atque ejus nepotem initis, utpote quæ, non præjudicata ea causâ id unum respiciebant, ut præbitâ aliquali opera pax et tranquillitas Hispaniæ cæteræque Europæ juvaretur, visum fuit eidem Serenissimo ac Potentissimo Regi Portugalliæ Fædus inire cum eodem Serenissimo ac Potentissimo Principe Leopoldo Romanorum Imperatore, ut cui Successio Hispanica mortuo sine liberis Catholico Rege Carolo hujus nominis secundo, gentilitio jure pactisque obvenerit, atque una cum ejus Federatis et in eam causam conspirantibus, nempe cum Serenissima ac Potentissima Principe Anna Magnæ Britanniæ Regina et Celsis ac Præpotentibus Dominis Ordinibus Generalibus Fæderatarum Belgii Provinciarum, ut conjunctis animis et viribus communi Securitati, Hispanorum Libertati, Legitimaque in Regna succedendi juri quam firmissime consulatur. Qua de causa ad id Fædus ineundum Plenipotentias suas et Mandata dederunt ab una parte Sacra Cæsarea Majestas Domino Carolo Ernesto Comiti à Waldstein Aurei Velleris Equiti, Consiliario suo Arcano, suoque et Serenissimi ac Potentissimi Romanorum et Hungariæ Regis Camerario, ac Legato suo Extraordinario in Lusitania, Serenissima ac Potentissima Princeps Anna Magnæ Britanniæ Regina Domino Paulo Metwen Armigero et Ablegato suo Extraordinario in Lusitania, Celsi ac Præpotentes Domini Ordines Generales Federatarum Belgii Provinciarum Domino Francisco Schonenberg, ab altera vero parte Serenissimus ac Potentissimus Princeps Portugalliæ Rex

    Fridericus, von Schönberg líquen viúvo e regente de Portugal, na qualidade de general de Befel, que também se autodenominava Heren zu Schönberg de Wesel, Mestre de Camp do Alentejo em prova, para servir contra os espanhóis. ; Gische Caspar von Schönberg em Sachsenburg;

    Judeus na Regência de Portugal em muitos reinos Portugueses desde Conde Henrique a Afonso IV, tivemos outros, João I até Afonso V

    Pedro de Schonenberg Lancastre, geb. 1555, huwt 1580 donna Antonia de los Rios Cabrera, dochI. Don Pedro Alvares Osorio, Heer van Casa de ter van don Pedro de los Rios Cabrera, markies Villalobos, Graaf van Transtamare, eerste Markies van van Escalonias, Deken (Doyen) van Spanje. Astorga in Galicie, levende tijdens Jan II, Koning van c. Aurelio de Schonenberg, geb 1558, huwt 1601 eene Portugal (1481—1495), had een afstammeling, die, de dochter van Balthasar Correa, een der met geweld jaartallen in aanmerking genomen, een zijner jongere zoons gedoopte Joden. Hij zelf wordt Jood 1604 en ontvangt of een kleinzoon moet geweest zijn: bij zijne besnijdenis den naam van Joseph. Van hem stammen af de takken Ergaz Belmonte, Pereira G. P. d’Orange. Hunne Hoog Mogenden de Staten Belmonte, Brandao Belmonte, Sarfatin Belmonte Generaal hebben hem de waardigheid van ambassadeur en Abendana Belmonte, welke gedeeltelijk nog moeten toevertrouwd aan hetzelfde hof zooals men kan bestaan in verschillende werelddeelen. Zooals later lezen in Wagenaar, Geschiedenis der Nederlanden zal blijken heeft de tak Ergaz Belmonte ook in XVI, boek 63, bl. 299 en XVII, boek 65, bl. 23 en Amsterdam gewoond.

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