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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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HANS KÜNG E FRANCISCO

 

1. Faz amanhã dois meses que, como aqui dei a devida notícia, morreu Hans Küng, o teólogo católico mais conhecido dos últimos decénios e um pensador de influência mundial.

Küng tinha imensa esperança no Papa Francisco, que lhe escreveu duas vezes, inclusivamente a dizer que a infalibilidade pontifícia era questão a estudar,  e lhe enviou uma bênção antes da morte. Lamentavelmente, talvez para não ferir Bento XVI, não o reabilitou de modo oficial. De qualquer forma, julgo que é inegável a influência do seu pensamento na primavera da Igreja prosseguida por Francisco, não só por causa das suas investigações sobre o cristianismo primitivo mas também do seu contributo incalculável para o encontro da fé com o mundo moderno e pós-moderno e um ethos (nova atitude ética) global.   

2. Por isso, vale a pena voltar concretamente ao seu livro A Igreja ainda tem salvação? (1997), no qual confessa que foi por imperativo de consciência que o escreveu. “Preferiria não ter escrito este livro. Não é agradável dirigir à Igreja, que foi e é a minha, uma publicação tão crítica”, mas, “na presente situação, o silêncio seria irresponsável”. De que sofre a Igreja? A Igreja católica, a maior, a mais poderosa, a mais internacional Igreja, essa grande comunidade de fé, está “realmente doente”, “mortalmente doente”, “sofre do sistema romano de poder”, que se acaracteriza pelo monopólioo da verdade, pelo juridicismo e clericalismo, pelo medo do sexo e da mulher, pela violência espiritual.

Que propôs Küng não só como teólogo eminente, mas também como cristão profunamente convicto, que nunca abandonou a Igreja que considerava a sua? É preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. De facto, em síntese, a Igreja é a comunidade dos que crêem em Cristo: “A comunidade dos que se entregaram a Jesus Cristo e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível, se disser a mensagem cristã não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus. Toda a sua credibilidade depende da fidelidade a Jesus Cristo.” Como procederia Jesus nas actuais situações, quando pensamos no modo como agiu? Seria contra o preservativo, os anticonceptivos, excluiria as mulheres, obrigaria ao celibato, proibiria a comunhão aos recasados? Que diria sobre as relações sexuais antes do casamento? Como procedria em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso?

A Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa, mas como povo de Deus e comunidade do Espírito nos diferentes lugares do mundo. O papado não tem que desaparecer, mas o Papa não pode ser visto como “um autocrata espiritual”, antes como o bispo que tem o primado pastoral, vinculado colegialmente aos outros bispos e, acrescentaria eu, a representantes das congregações religiosas e de todo o Povo de Deus, homens e mulheres.

A Igreja, ao mesmo tempo que tem de fortalecer as suas funções nucleares — oferecer aos homens e às mulheres de hoje a mensagemm cristã, de modo compreensível, sem arcaísmos nem dogmatismos escolásticos, e celebrar os sacramentos —, deve assumir as suas responsabilidades sociais, apresentando, sem partidarismos, à sociedade opções fundamentais, orientações para um futuro melhor.

Não se trata de acabar com a Cúria Romana, mas de reformá-la segundo o Evangelho. Essa reforma implica humildade evangélica (renúncia a títulos como: Monsignori, Excelências, Reverências, Eminências…), simplicidade evangélica, fraternidade evangélica, liberdade evangélica. E é necessário mais pessoal profissional, acabando com o favoritismo. De facto, esta Igreja é altamente hierarquizada e ao mesmo tempo caótica. Quem manda no Vaticano? “Conselheiros independentes haverá poucos.”

Mais: precisa-se de transparência nas finanças da Igreja; deve-se acabar com a Inquisição, não bastando reformulá-la, e eliminar todas as formas de repressão; não é suficiente melhorar o Direito eclesiástico, que precisa de uma reforma de fundo; deve-se permitir o casamento dos padres e dos bispos, abrir às mulheres todos os cargos da Igreja, incluir a participação do clero e dos leigos na eleição dos bispos; não se pode continuar a negar a Eucaristia a católicos e protestantes; é preciso promover a compreensão ecuménica e o trabalho conjunto.

3. Não é legítima a pergunta: Passados quase 25 anos, não é algo de semelhante a este projecto que move o Papa Francisco?

A sua medida mais recente e a mais importante neste sentido tem a ver com a sinodalidade da Igreja (caminhar em conjunto), tema do próximo Sínodo em Roma, adiado para 2023, também para criar uma dinâmica que permita que “sejam ouvidos todos os baptizados”, concretizando um desiderato já presente na Evangelii Gaudium que recomenda aos bispos “ouvir a todos e não apenas alguns sempre prontos a lisonjeá-los”.

Assim, o processo começará pelas bases: com uma primeira etapa, diocesana, e a nível dos países, até Abril de 2022, para que todos sejam ouvidos, elaborando-se então uma primeira síntese. As questões suscitadas serão depois reflectidas ao nível continental, no quadro de organismos continentais dos bispos, que, por sua vez, aoresentarão a sua síntese, sendo a partir daí que se elaborará o documento que servirá de instrumento  de trabalho para o Sínodo. Nele, pela primeira vez, votará também uma mulher.

 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 5 JUNHO 2021

4 comentários sobre “HANS KÜNG E FRANCISCO

  1. A Igreja como existe, não é da Sociedade, pertence a um grupo restrito, antes esta Igreja esteve sempre interligada a Reinos de sua preferência para manter o Império de Roma como dos Césares.

    Isto é verídico do que falo, nessa Igreja a minha família também fez parte desde muito cedo, Saturnin (santo) 250 Saturnin (santo); AD-405. 411 / 2 Exupère (santo)… 405-411 …Exupère (santo); 859 Salomão… 859/860 …Salomão; para 994-1010 Raimond I … 987-1010 … Raymond; 1139-1163 Raimond II de Lautrec 1140-1163 Raymond de Lautrec; 1232-1270 Raimond de Falga 1232-1270 XLI. Raimundus IV. DE Felgar XLII. Raimond [IV] ou o Falga para Felgar e todos estes e muitos mais até 1755 foram da família, pertencia ao Judaismo e Cristianismo. Tívemos centenas de Cardeais, 7 papas como poder máximo da Igreja de Roma.

    Só em França tínhamos 9 dioceses e tínhamos la todas, em Espanha a mesma coisa e em Portugal

    Agora a Igreja quer de volta o que não é deles, nunca o foi, por isso a minha reação de negativa contra estes Senhores Santos que em Portugal em 1755 a 1777 foram expulsas muitas ordens religiosas, como em França que usurparam o que era dos Legítimos donos do Judaísmo. Ontem a igreja Judaica estava intimamente ligada aos reinos, por casamentos ao Clero e filhos de Reis, de Alta Nobreza, era assim.

    A Igreja Católica que entrou em Inglaterra, França, Espanha e Portugal, em muitos Reinos foram expulsos, porque se metiam nos negócios dos reinos, metiam se na politica, vendiam mentiras, colocavam sangue de galinha nas artes das manhas de vender a fé aos pobres de espirito, isto é a arte de mentir pela fé, aconteceu. Diziam que o sangue era de Cristo, quando lemos o Passado desta Católica é de bradar aos Céus. Tantas mulheres que foram mortas na Fogueira, tantos milhões de pessoas executadas por não aceitar os desígnios da Católica.

    Hoje querem o poder de volta, os que não são santos, é outra classe de homens que pretendem dinheiro e não a fé, existiu em Portugal o acordo da Concordata, foi um erro grosseiro.

    No Antigo existia a Igreja Judaica e a Católica, a expressão em percentagem era de 80% para a Judaica e 20% para a Católica e aqui o poder cresceu com o medo das almas para o Inferno, o medo que se não contribuíssem com património, terras, lugares, castelos, mosteiros, diziam estas bestas se não deres a tua alma vai para o Inferno, assim o poder desta Católica cresceu e nasceu a Inquisição, o medo.

    Eu devo ser a única pessoa a relembrar os medos das pessoas, não há Inferno, não há inferno nem Paraíso, estes sacerdotes que arranjem outra desculpa, outra mentira.

    Eu vejo a católica como uma praga nos campos agrícolas, tipo o trevo ou a junça. que se espalham com a lábia e de saber vender, como bons comerciantes como em Bizantino. Esta Igreja nasceu em Bizantino e não em Roma, mas os senhores eram de Roma. Bizantino é casa dos Turcos.

    As pessoas quando falecerem todas ficam bem, não há Inferno, acabou a coleta da Igreja, acabou o financiamento pelo medo dos pobres de espirito, eu sei quem criou este medo e foi em Tour.

    João Felgar

  2. Saturnin(Saint) … 250

    Saturnino. – Fundador da Igreja de Toulouse e do primeiro bispo desta cidade (1). – Foi martirizado no consulado de Décio e Grato em 250 (2): atacados pela multidão de pagãos que passa em frente ao templo do Capitólio (3), amarrado pelos pés a um touro para um sacrifício e arrastado pelas ruas (4) para fora da cidade.

    David

    Dauid. — Prêtre dont l’épitaphe se lit au bas de la façade occidentale de la basilique Saint-Sernin de Toulouse (1) :
    [HI]C SIT PAX D(OMINI) H(I)C REQ VI(ESCIT) DAVID SACE RDOS A w P

    Salomon … 859/860 …

    Salomon ; (‘‘Salomonis’’). — Évêque de Toulouse, érige en paroissiale l’église Saint-André nouvellement fondée à Mauressac (1), dans son diocèse, par Ermentrude et son fils Effroy (2). L’acte unique constatant l’ensemble de ces dispositions, qui est le document le plus ancien transcrit dans le cartulaire de l’abbaye de Lézat, est daté du jeudi 30 décembre et de la vingtième année du règne de Charles. Il doit s’agir d’un roi de France, Charles II le Chauve ou Charles III le Simple, respectivement reconnus en Aquitaine en 839 et en 900, plutôt que du roi d’Aquitaine Charles l’Enfant, couronné en octobre 855 et décédé en 867. On peut conjecturer quelque erreur sur l’un des quantièmes, le 30 décembre tombant un jeudi en 857 (3) ou en 902 (4), et un samedi en 859 (5), ou bien supposer que la fondation de l’église et sa dotation ont précédé de quelque temps l’institution de la paroisse et la délimitation de son territoire.

    Foulque de Marseille … 6 novembre 1205 – 25 décembre 1231 – este foi o familiar de Felgar, que lhe passou a pasta em Toulouse

    F. ; Fulco ; Fulchetus, Fulquetus ; Fulco Amfos ; Fulco Massiliensis seu de Massilia, Fulquetus de Marcellia ; Folcs, Folqet, Folquet, Folquets, Folquetz ; Folquets, cel de Maselha ; Folquet de Marcelha, Folquet de Marceilla, Folquet de Marsseilla, Folquetz de Marseilla, Folqetz de Marssilia … ; (‘‘Folquiers’’). — Fils d’un marchand originaire de Gênes (1), vraisemblablement de la famille des Anfossi (2) ; père d’Alphonse et de Pierre, entrés en religion dans l’Ordre de Cîteaux et mentionnés en 1210 comme moines de l’abbaye Sainte-Marie de Grandselve, en Toulousain (3). — Marchand (4), bourgeois de Marseille cité comme témoin d’un acte passé le 23 janvier 1178 (5). Troubadour en renom auprès du vicomte de Marseille Raymond Geoffroy Barral (…1173-1192), des comtes de Toulouse Raymond ‘‘V’’ (1148-1194) et de Foix Raymond Roger (…1188-1222), des rois d’Aragon Alfonse II (1162-1196) et d’Angleterre Richard Cœur-de-Lion (1189-1199), etc. (6). — Entré après 1195, date de sa dernière poésie (7), dans l’Ordre de Cîteaux, au monastère Sainte-Marie du Thoronet en Provence (8). Élu abbé du Thoronet (9) et mentionné comme tel en 1204 (10). — Élu évêque de Toulouse à l’unanimité du Chapitre des chanoines de la cathédrale Saint-Étienne (11), avec l’agrément des légats pontificaux Pierre de Castelnau, Raoul de Fontfroide et Arnaud Amaury (12). Mentionné comme évêque élu le dimanche 6 novembre 1205 (13). Consacré

    Raymond du Fauga … 12 mars 1232 – 19 octobre 1270

    R., Rus ; Raymundus, Raimundus, Ramundus ; Raymundus de Falgario, de Miramonte ; Raymundus de Falgario, de Miromonte ; Ramundus de Miramonte ; (‘‘Raymundus de Falguerio’’). — Natif de Miremont (1). Issu de la famille des seigneurs du Fauga (2), frère d’Arnaud du Fauga (…1244-1249…) et de Guillaume du Fauga (…1248-1271…), seigneur de Venerque et du Vernet (3). — Compagnon de saint Dominique (+ 1221), fondateur de l’Ordre des Frères Prêcheurs (4). Deuxième (?) prieur du couvent des Dominicains de Montpellier, fondé en 1220 (5). Quatrième Prieur provincial des Frères Prêcheurs de la province de Provence (6). — Élu évêque de Toulouse, en février ou mars 1232, à l’unanimité du Chapitre des chanoines de la cathédrale Saint-Étienne, avec l’approbation immédiate de l’évêque de Tournai Gauthier de Marvis (1219/1220 – 1252), légat pontifical en Albigeois (1231-1233) (7). Apprend son élévation à l’épiscopat alors qu’il fait la visite du couvent des Frères Prêcheurs de Limoges (8).

    João Felgar

  3. David, Solomon, Saul, José, Cristo, Schonenberg, Fontaines, Anjou, Foulque, Montpellier de Sabanac, Carcassonne, Bezier, Faugeres, Fougeres, Paris, Oliveira, Foix, La Cerda, Bohémia, Polónia, Benemerino, Fez, Vimaranes, Costa, Lara, Albuquerque, Medina, Molina, Velasco, Brigantia, Savoie, Saxoniae, Baviera, Austria, Belgica e muitos outros nomes eram Judeus.

    Nomes de casas Judaicas e é preciso mostrar a verdade.

    Eu quero a casa Judaica em Portugal y Espanha, como dominante.

    João Felgar

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