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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A FORÇA DO ATO CRIADOR


Wall House #2

“Short silence
of stone and concrete
far away sounds
then children’s voices
cars passing
louder and louder
peeling plaster
the creaking of wood
the swinging cables
then again silence”, John Hejduk

A arquitetura é espaço formado, um vazio limitado, é matéria em transformação. É a ligação entre o eu e o mundo.

Na Wall House #2 (Groningen, 2001) John Hejduk (1929-2000) consegue formar o espaço dos movimentos mais primários. É uma casa conceito. É uma casa dividida. É uma casa virada do avesso. Da enorme parede saiem todos os volumes que constituem a casa.

A parede tem uma enorme importância e significado. É a transição concretizada entre o público e o privado, entre a aceleração e a vagarosidade, entre o passado e o futuro, entre a agitação e o silêncio, entre duas vidas, entre um ser e o outro, entre o todo e o nada. A parede é a possibilidade de trazer à luz os padrões de comportamento de quem habita a casa – é necessário passar a parede para ir de uma divisão para a outra. É a presente esperança de dividir emoções, de diferenciar modos de vida e de fragmentar o ser que aí habita.

A Wall House #2 faz parte de uma série de 24 casa projetadas por John Hejduk nos anos setenta. Uma casa para Hejduk é uma camada que protege, para além da pele e da roupa – por isso tem sempre algo de humano, as suas formas são necessariamente antropomórficas. Na verdade, a Wall House #2 nunca foi pensada para ser habitada – é um modelo puramente teórico e abstrato.

Nesta casa, o conceito de espaço precede todo o objeto construído. Consegue-se aqui ler a influência do cubismo e sobretudo a influência de Le Corbusier. Todos os limites plásticos do tempo e do espaço são postos em causa. É uma casa dinâmica cuja conceção espacial se baseia na interpenetração incessante do espaço interior e do espaço exterior e de vários tempos. A forma da casa sugere várias dimensões – é fantasia palpável submetida à subjetividade de cada corpo que a ocupa. Porém cada volume tem uma função específica. Todos os volumes através da sua forma e da sua cor são claramente identificáveis pelo exterior.

Tal como nas casas de Le Corbusier, a Wall House converte-se num campo de improvisação plástica desencadeada pelas condicionalidades da vida doméstica, dando assim origem à promenade architecturale – porque como se lê em Por uma Arquitetura: “A planta traz em si a essência da sensação.” O corredor de 25 metros é a materialização e o começo da promenade architectural. É o espaço que permite reduzir a velocidade. É o volume mais longo e mais estreito e revela o que nunca se vê. Concede que a transição entre a rua e o espaço interior da casa não seja abrupta.

Com a Wall House, Hejduk reintroduz a múltipla intersecção entre a casa – o volume – o espaço – o tempo. A nossa perceção acerca do mundo fica assim renovada, porque se cria a síntese necessária e dinâmica de um objeto em todas as suas infinitas dimensões e talvez assim poder-se-á apreender a realidade tal como é.

“I believe in the density of the sparse. I believe in place and the spirit of place.” John Hejduk

 

Ana Ruepp

2 comentários sobre “A FORÇA DO ATO CRIADOR

  1. Queria agradecer ao Senhor Almirante Gouveia e Mello e à sua Equipa, por terem realizado um excelente trabalho de Logística para Salvar o maior número de Portugueses.

    Eu como cidadão desta Republica, agradeço aos Senhores Militares o vosso profissionalismo para ajudar mais uma vez o Portugal.

    Os Políticos tem se capacitar que não podem cortar na Defesa, não podem cortar no orçamento do Estado para reduzir gastos com os Militares, aqui provou se mais uma vez, que as nossa Forças Armadas, são tão precisas em tempo de guerra, como em tempo de paz.

    Enquanto os Republicanos e políticos cortam nos militares e seus equipamentos, na eventualidade de existir Implementação da Monarquia Portuguesa, os Militares, juntamente com os Magistrados fazem parte Integral do Estado Monárquico é a minha base.

    Na Monarquia, não se corta capitais nos militares, agradece se a estes homens e mulheres que nós ajudam em tempos difíceis, que os políticos e burocratas nada sabem gerir nem resolver.

    Mais uma vez Obrigado ao Senhor Almirante Gouveia e Mello.

    João Felgar

  2. Muito bom, mesmo. O Vice Almirante Gouveia e Melo é deveras um Homem , um Militar cheio de precisão e rigor naquilo em que se empenha e desempenha. Disso não temos nem tivemos dúvidas. Foi a sua disciplina ( que não se esperaria outra coisa ), que originou tão bem o trabalho da ” TASK FORCE “. Bem haja.

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