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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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PODER E AUTORIDADE

Ceia de Emaús de Rembrandt.jpg

 

No Evangelho, as três tentações de Jesus estão todas relacionadas com o poder. Antes de iniciar a sua vida pública, Jesus teve de decidir se queria ser um Messias político, do poder, ou um Messias do amor, do serviço. Foi por esta segunda via que seguiu: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”, e servir até dar a vida, dar a vida para testemunhar a verdade e o amor. A verdadeira tentação, segundo o Evangelho, é a do poder, no sentido da dominação.

Evidentemente, em qualquer sociedade o poder é inevitável, tem de haver instâncias de poder. Toda a questão consiste em saber como é que ele é exercido e com que finalidade. Quantos se lembram de que Ministro, etimologicamente, significa pura e simplesmente servente, aquele que serve? Primeiro-Ministro é o que está à frente no serviço. Por isso, Jesus disse aos discípulos, também ao Papa, bispos, cardeais, padres: “Sabeis que os chefes das nações governam-nas como seus senhores. Não seja assim entre vós; pelo contrário, quem quiser fazer-se grande entre vós seja vosso servo”.

Jesus renunciou ao poder enquanto domínio, mas é referido frequentemente no Evangelho que ensinava com autoridade. A palavra autoridade vem do verbo latino augere, que significa aumentar, fazer crescer. Ter autoridade tem, portanto, a ver com fazer aumentar no ser. Cá está: servir. O poder legitima-se enquanto serviço de fazer crescer na liberdade e na dignidade, na realização plena de todos os seres humanos em todas as dimensões… Presidentes, ministros, bispos, jornalistas, pais, professores, padres, polícias… exercem legitimamente o poder enquanto autoridade, quando ele faz crescer, quando preserva e aumenta a dignidade humana… Assim, não são apenas os súbditos que devem obedecer. A palavra obediência também tem a sua origem no latim: obaudire, que significa ouvir. Então, os que têm poder são os primeiros a ter de obedecer, isto é, a ter de ouvir aqueles que precisam que lhes seja feita justiça, ouvir a própria consciência, ouvir o apelo de todos os que clamam por mais liberdade e dignidade…

Não há superiores e inferiores. Há apenas homens e mulheres iguais em dignidade. E alguns estão constituídos em poder, que devem exercer como serviço a essa dignidade inviolável.

A grande tentação da Igreja, ao longo da sua história, foi e é o poder. Mas então esqueceu e ignorou o Evangelho. Escreveu, com razão, Miguel Baptista Pereira: “Perdido o sentido do Mistério, instala-se a ‘indoutrinação’ e a administração definitiva do Absoluto e consagra-se a intangibilidade dos seus burocratas, não fosse dilema humano o serviço do Mistério ou a vontade ilimitada de poder”.

A novidade do Deus cristão, revelado em Jesus, é que Ele é poderoso, infinitamente poderoso, mas o Seu poder não é de domínio, mas de criação: Força infinita de criar. Fez-nos livres, para estabelecer connosco uma aliança. Com todas as consequências…

Aí está a razão por que, quando se fala em Igreja, é difícil não se ser imediatamente confrontado com alguma situação de desconforto. De facto, a Igreja aparece frequentemente como uma hierarquia soberana e longínqua, que comanda, que proíbe, não se percebendo muitas vezes se essas ordens e proibições querem realmente o bem das pessoas ou, se, pelo contrário, não são expressão disfarçada de interesses económicos e políticos, enfim, do poder…

Num primeiro momento, pelo menos, a Igreja surge como uma hiperorganização. Mas não deveria ser assim. De facto, a palavra igreja em português (iglesia em castelhano, église em francês) vem do grego Ekklesía. Ora, a Ekklesía era a assembleia do povo. No alemão (Kirche), no inglês (Church), etc., a origem é outra: Kyrike (forma popular bizantina), com o significado de “pertencente ao Senhor” (Kyrios) e, por extensão, “casa ou comunidade do Senhor”. De qualquer modo, na dupla etimologia, a Igreja, no Novo Testamento, significa a assembleia daqueles que acreditam em Cristo, que crêem nele como o Messias e se tornaram seus discípulos, querendo, portanto, segui-lo, fazendo durante a vida o que ele fez e confiando nele na própria morte, esperando também a ressurreição. A Igreja desde o início considerou-se a si mesma como a assembleia dos fiéis a Cristo, dos que pertencem ao Senhor: o sinal dessa pertença era o baptismo e reuniam-se, celebrando, na Ceia, a sua memória, até que Ele venha.

Evidentemente, sendo constituída por homens e mulheres, a Igreja precisou de dar-se a si mesma o mínimo de organização. Por isso, nela, há diferentes funções e serviços. A palavra correcta é precisamente serviços. Significativamente, o Novo Testamento não fala de hierarquia (poder sagrado), mas de diakonia, que quer dizer ministério, serviço (mas também os Ministros dos Governos não esqueceram já que ministro é aquele que presta um serviço?).

Que é que isto tudo quer dizer? A Igreja não é, na sua raiz, uma hiperorganização, mas assembleia convocada por Deus e reunida em Cristo. Então, o Papa, antes de ser Papa, é cristão; o bispo, antes de ser bispo, é cristão, um seguidor de Cristo; um cardeal, um cónego, um padre são discípulos de Cristo, que têm uma missão de serviço. Que devem servir, precisamente como qualquer cristão. Não há de um lado a hierarquia que manda e do outro os cristãos leigos que obedecem. Há sim a comunidade dos que acreditam em Cristo, que procuram ser seus discípulos e que prestam serviços uns aos outros e a todos, segundo os dons e as tarefas que foram dados a cada um para bem de todos.

  

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 11 de dezembro de 2021

3 comentários sobre “PODER E AUTORIDADE

  1. O vosso Evangelho, não tem nada disto que vós publico aqui, e é para ficar a pensar que Jesus Christo Nazarenus foi Rei dos Judearum e lembrem se, que até Carlos II de Espanha eram Hebraicos e não Católicos, como alguns apregoam por ai.

    A verdade vem sempre ao de cima.

    Bsorath Mati. Evangelium hebraicum Matthaei, recens e ..1555

    בשורת מתי עד היום הזה כמוסרה עם היהודים ונחבא במערותם ועתה באחרונה מתוך חוריהם ומחושך מוצאת לאור שנת הנך הרה ויולדת בן לפק מגאולתנו פה בפאריס האם בצרפת:

    EVANGELIVM HEBRAI

    cum Matthæi, recèns è ludæorum penetralibus erutum, cum interpretatione Latina, ad vulgatam quoad fieri potuit, accommodata. P A R Is Its, Apud Martinum Iuuenem.fub infigni D. Chriftus phori,è regione gymnasii Cameracenfium.

    M. D. I Y. .EPISC 19. TILIUS Briocen. Carolo Lotharingo principi Cardinali ampliß. S. P. D. Nno superiore profectus in Italiam, inter multos ac varios libros, hoc diui Matthæi Euangelium Hebraicum re. peri: quod equidem vt non aufim adfirmarede co quod fua ille lingua diuinitus coscripsit,expressum, ita ex eruditorum hominú & Cifalpinorum & Träsalpinorum testimonio atque prædicationc, possum asserere à Rabbinica dictione pluria ij mum ptū orationis puritate, quá nulla post desolatam hanc gentem scripta redoleant. Longè enim aliud ab eo eft, quod nobis Munsterus plerunque barbarum & ineptū obtrusit.Hoc nitidius est, præterquàm quòd phraser nobis Hebraicas multis in locis dilucidiores facit. Itaque ego in eo literarum faa crarum amore, quem in me maiorem Deus indidit,quá facultatum copiam, perseuerans, ve verbum de yerbo religiosissimè cóuerteretur hoc Euangelium,curaui,ad háncquerem sacram, lohá ‘ nis Merceri doctrina &’cognitione præstatis; iudició que acri præditi, & de literis Hebraicis, fiquis ætatis noftræ est , optimè meriti, opera sum vsus. Nulla auté alia quam sua commendatione & maieftate liber in publicum egredi eo iure po çest, quo vbique terrarum Euangelium imperet,& sua ipsum authoritate nitatur, oportet . Quod igitur tandiu inter illos Dei olim filios primogenitos delituit, a iij & præfractis ac obstinatis animis incognitum vel potiùs contemptum fuit, hoc id tempore, vtest inter Euāgelia primū ordine, ita fub auspicatiore cuiusquá nominequàm tuo apparere nequiuiffet, qui ecclesiç nostrę Gallicanę facilè principem locum tenes, & quem pacatis compositísque hisce negociis ac bellis periculosis; in quibus amplitudo tua principacúsq; neceffariò iã aliquot annos occupatus est, feliciter impeditum reftauranda religione; corrigen gendísque vitiis,quibus ecclesiæ ministri foedati sunt, exoptarē:ex qua vitiorum fentina, ista quibus quotidic iusto Dei iudicio vexanur mala redūdare persuafum habeo. Deus opt.Max. te, Pontifex ampliss.in dies ad meliora maioráque semper prouchat,in téque summũ illum virtutum gradū quem ab eo fperas, perficiat &abfoluat.Parisijs XXVII. Nouembris, M.D.LIIII.

    אלה

    תולדות ישו בן דוד בן אברהם אברהם הוליד את יצחק יצחק הוליך את יעקב יעקב הוליד את יהודה ואחיו יהודה הוליד את פרץ וזרח מתמר פרץ הוליד את חצרון חצרון הוליראת רסורס הוליך את עמינדב עמינדב הוליד את נחשון נחשון הוליד את שלמון טלמון הוליך את בועז מרחב בוער חוליו את עובומרות ועובוהוליך את ישי ושי הוליד את רוב המלך ודור הוליד את טלמרמאשת אוריה

    בשורת מתי ושלמה הוליד את רחבעס רחבעם הוליד את אביס ואבים הוליו את אסא ואסא הוליך אך יהושפט יהושפט הוליד את יהורם יהורם הוליך את עויחו עליהן הוליך את ותס יותס הוליך א אחז אחו הוליד אתחוקיהו חוקיהו הוליו את מנשה מנשה הוליך את אמון אמון הוליד את יאשיהו יאשיהו חוליו את יכניה ואחיו בגלות בבל יכני הוליד את שאלתיאל שאלתיאל הולינאחזרובבל זרובבל הוליואתאביהוו אביהוד הוליך את אבנר אבנר הוליך את אליקים אליקיס הוליך את עור עוור הוליך את צרוקצווק הוליו את אמון ואמון הוליך את אליהור אליהור חוליו את אלעזר אל עור הוליד את מתן מתן הוליד את

    יעקב

    יעקב יעקב הוליד את יוסף איט מרים שממנה גולן ישוע שנקרא משיח וכל הרוכות מאבוה ער דויד דורות ארבעה עשרומן גלות בבל עד המשיח וורות ארבע־עשר ותולרת ישו המשיח כן היה מאחל שאמו מרים אורטה ליוסף בטרם הוא בא אליה נמצאה הלה מרוח הקדש ויוסף אישה היה איש צדיק ולא אבה למסור אותה למיתה ולא לגלותה אך היה בליבו לעזוב אותרה בסתר ובהיותו חושב בוח המלאך נראה אליו בחלום לאמור יוסף בן דור אל תירא לקחת מרים אשתך כי מרשיולוממנה מרוח הקרש הוא כי מרוח הקודטחיא הרה והנר היא תלד בן ותקרא את שמו יטוע כי הוא יושיע את עמו כפר חטאתם וכל זה למלאות

    João Felgar

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