Ele foi Auschwitz. Ele foi o Goulag. Ele foi e é a Ucrânia… Ele foi/é o abuso ignominioso de crianças pelo clero… A tantos homens e mulheres a quem foi prometida a liberdade, e eles desafiaram o medo! Depois, precipitaram-nos no inferno. Deportaram-nos, fuzilaram-nos, massacraram-nos. Eles gritaram, clamaram, já não havia lágrimas… O Calvário do mundo…
Onde está o Homem? Quanto vale um homem, uma mulher, uma criança? Perante tanta iniquidade e horror, assalta-nos a vergonha.
As palavras dignidade, indignidade, direito, justiça, injustiça, vergonha, bondade, civilização, honra, ternura, compaixão… ainda fazem parte das línguas dos humanos ou foram varridas dos dicionários?
“Senhora, tem piedade… Senhor, tem piedade de nós! Senhor, tem piedade do povo… Senhor, tem piedade de mim!”
Mas, aparentemente, também Deus se mantém mudo.
Será que Deus não tem vergonha? A própria Bíblia a um dado momento, perante o crescendo da maldade humana, diz que Deus se arrependeu de ter criado o Homem. Arrepender-se também quer dizer ter vergonha e pena.
Perante o sofrimento dos inocentes, Ivan Karamázov apressa-se a devolver o seu bilhete de entrada na harmonia futura. Em A Peste, Albert Camus coloca o médico Rieux a dizer ao jesuíta Paneloux: “Não, padre. Eu estou disposto a recusar até à morte amar uma criação onde as crianças são torturadas”.
Face à crueldade hedionda e à mesquinhez bárbara e reles dos humanos e à massa incrível da história do sofrimento, sobretudo dos inocentes, para muitos está decidido: Não há Deus! O padre Eloi Leclerc, franciscano, que, com apenas 20 anos, viveu a terrível experiência dos campos de concentração nazis, a descida aos infernos, disse: “Quem não passou por essa experiência não pode sequer imaginar o que isso é. É o momento do silêncio absoluto de Deus, da ausência. Podia elevar os olhos ao Céu, mas o Céu não respondia. Os gritos não chegavam lá. Então compreendi que se pode perfeitamente ser ateu. Perante tanta desgraça, solidão e sofrimento, pode-se ainda acreditar no Deus do Amor?”
Mas, aqui, recomeçam as perguntas: Donde vem a nossa indignação? Qual é a fonte da nossa revolta, da nossa rebelião? E porque é que não nos resignamos?
Afinal, criminoso, horrendo, infame, brutal, insuportável, arrepiante, intolerável…, ainda são valorações morais. Indignar-se com Deus, rebelar-se, protestar contra Ele, ainda é por exigência moral. Estamos atenazados: somos seres morais, exigindo o Bem infinito, e comportamo-nos ignominiosamente.
Como escreveu o teólogo Johann Baptist Metz, “a pergunta a Deus é a piedade da teologia”, e, assim, também sabemos que um Deus indiferente não seria Deus, mas um monstro. Na cruz de Cristo, Deus revelou-se como aquele que sofre connosco e por nós. Um Deus indiferente à dor só poderia conduzir os humanos à indiferença.
Mas que pensar do sacrifício na sua relação com Deus?
Perguntam-me por vezes o que é que eu penso sobre o gesto daquela gente que, em Fátima, se arrasta de joelhos…
A resposta é simples: evidentemente, tenho compreensão sincera e compassiva (no sentido etimológico da palavra compaixão) para com aqueles e aquelas que, no abismo da sua dor ou tragédia, se convenceram de que, arrastando-se diante da divindade, a comoveriam e forçariam a ajudá-los…
Mas também é evidente para qualquer ser pensante que um Deus que, para ser favorável ao ser humano, precisasse de toda aquela humilhação e tortura era um Deus sádico, que, por isso mesmo, não poderia merecer consideração nem respeito. Perante um Deus sádico, só há uma atitude humanamente digna: ser ateu.
No entanto, foi pregado tonitruantemente ao longo de demasiado tempo que Deus precisou do sangue do próprio Filho para aplacar a sua ira…
Pergunta-se: como é que foi possível pregar e acreditar num Deus vingativo e sádico, um Deus pior que qualquer pai humano sadio, decente?…
É evidente que Jesus não morreu na cruz para aplacar a ira de Deus. Jesus foi vítima daqueles que não aceitaram a sua mensagem, o seu Evangelho, notícia boa e felicitante, que é: Deus é bom. Há quem não queira o Deus bom.
A cruz de Cristo é a expressão máxima do amor incondicional de Deus para com todos os homens e mulheres. Jesus, o excluído, é aquele que não exclui ninguém. Pelo contrário, inclui a todos no amor sem condições.
É isso: o sacrifício pelo sacrifício é detestável. Mas, por outro lado, nada vale realmente sem sacrifício. Por causa do império de uma banalidade mole hoje triunfante, é recusado a muitos o sabor daquela alegria que resulta da superação de obstáculos. De facto, nada de grande, belo e valioso e digno se faz e constrói no mundo sem sacrifício. Os valores merecem que nos batamos por eles, e é esse sacrifício enquanto luta por aquilo que vale que nos engrandece como seres humanos.
Quem diz que ama e não está disposto a sacrificar-se por aquele que ama anda enganado e mente a si próprio. Quem ama verdadeiramente está disposto a sacrificar-se por aquele, por aquela, por aqueles que realmente ama. É esse amor que salva o mundo.
Àqueles que o criticavam por participar em banquetes oferecidos por pecadores públicos Jesus respondeu: “Ide aprender o que significa: “O que eu quero é misericórdia e não sacrifício'”. E também disse: “Quem quiser seguir-me tome a sua cruz todos os dias”. Referia-se àquela cruz que dá testemunho da verdade e que acompanha o combate pela liberdade, pela dignidade, pela justiça, pelo amor. Pela solidariedade com a Ucrânia…
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN | 19 de março de 2022
Pois é um calvário do mundo.
O lado obscuro das relações entre o papa Pio XII e os nazis
O DN publica todos os dias o excerto de um livro recém lançado no mercado para ajudar às leituras nestes tempos difíceis em casa. Devido à recente abertura dos arquivos do Vaticano sobre o papa Pio XII, a leitura de Pio XII e o Terceiro Reich, de Saul Friedländer (Editora Sextante), ainda se torna mais pertinente. Veja os outros aqui. 22 Março 2020 — 03:45
Para este estudo, recorremos às recolhas publicadas dos documentos diplomáticos britânicos e americanos, a alguns textos publicados pelo Vaticano, a certos documentos inéditos do Congresso Judaico Mundial e dos Arquivos Sionistas em Jerusalém, a um documento inédito proveniente da Chancelaria de Hitler, mas sobretudo aos documentos, na sua maioria inéditos, do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Terceiro Reich.
No final da Segunda Guerra Mundial, os Aliados apreenderam os arquivos da maioria dos serviços civis e militares do Reich que não haviam sido destruídos pelos próprios Alemães ou durante os bombardeamentos e combates. Os arquivos da Wilhelmstrasse foram parar, em grande parte, às mãos das forças anglo-americanas. Se os dossiês do gabinete do ministro Ribbentrop haviam sido destruídos quase na totalidade, os do gabinete do secretário de Estado bem como os de certos departamentos importantes do Ministério estavam praticamente intactos, com exceção dos dossiês sobre os últimos meses da guerra.
Pois outro Calvário do mundo, foi e não podemos nos esquecer disto, da Santa Sé e na Ucrânia temos neonazis, temos e todos escondem a cabeça na areia.
A Santa Sé esta no seu percurso de condenação da guerra, concordo plenamente, mas não deve apoiar os mesmos de sempre, já vimos a história da 2 grande guerra mundial, o calvário.
João Felgar
A Igreja Católica tem um percurso estranho na vida das pessoas, nasceu em Alexandria nos Cátaros e no seu percurso errático, temos algo que eu não aceito, daqui expulsaram 124 mil famílias Judaicas de Bizantino para a Península Ibérica e ao mesmo tempo em 1522 com Adrianus VI querem colocar Turcos em cadeiras de Reis Cristãos na Europa. Eu não perdoou a Igreja Católica
Adde q rex Ferdinandus publico edicto(quod postea rex Emanuel Portugaliæ imitatus est) ocs Judæos, quorú cátionem fi ineas, circiter centum vigintiquatuor mille familiæ fuerunt, q ve valgo ereditur capita efficiunt octies centena inillia fua ditione eiecit. Turcicus vero imp.Baiazethes magno erroge regis perpenso folebat dicere, mirari fe regis Ferdinandi acumen & intelligentiam,q earė,quæ imperijs petentiá adderet, tanto nimi: rum populo te priuaret. Clementer itaq; exulib, Iudæis-suscepris certas fixit sedes Rhodum,Sałoficam Cóftantinopolim, S.Maurã alias& plures . Sed &hac de caula in prædicta regione agricul tüta’minus exercitata, imo plane tandem iacuit,q populus naturæ fuæ ingenio in arma procliuior bellis magis eft addi&us,facileq; in militia abit,& opes & exiftimationé nominis inde amplificatú:
HISTORIÆ ECCLESIASTICÆLIBER CXXVIII. ADRIANUS VI PAPA., CAROLUS V. OCCIDENTIS IMPERATOR
S. XV. Solimanus ob finiftrum asaltus fruce cellum in rabiem a&us. Jac Bolius Solimanus ob adversum hujus expedi & feq. tionis fucceffum spe in rabiem versa, Jacques de tam impotenti ira commovebatur, ut Borbon.l.cit. parum abfuerit, quin furore ac indignatione abreptus ipsum Mustapham Sororium fuum hujus belli auctorem neciSæeal.XVI. addixiffet. Referunt Scriptorum non- A.C.1522. nulli, latam in eum fuisse sententiam, ut sagittis transfigeretur, jamque palo ad fubeundum extremum fupplicium fuisse alligatum, Pirum tamen Baflam sententiæ executionem differri jusliffe, donec ad Sultani pedes provolutus, amico suo vitæ veniam deprecaretur, Verum Solimanus, quod ejus jussa fuisfent neglecta, vehementiori ira accenlus, quantocius Pirum ad idem fupplicium condemnavit, atque ambo hac poena muletati obiiffent, nisi Solimanus Ballarum fuorum lacrimis commotus, a furore fuo remisisset, & utrique veniam indulliffet, ea tamen lege, ut MuItapha nunquam ejus conspectum lubiret.
S. XXIV. Magnus Magister in fuo Palatio a Turcarum Imperatore in . Salutatus. Fac. de Riduo post, nimirum in ipfo Nativita Bourbon. Dtis Christi Salvatoris fefto vigefima hin. du Siege de Rhodas quinta veces quinta Decembris die Solimanus urp. 682. bem, quam recens fuo imperio subjecerat, poflidendam ingreffus eft, ipfumque Magistrum, qui suum adhuc palatium incoluerat, invisit, multisque honorum significationibus cumulatum etiam Patrem fuum appellavit, hortatusque est, ne tristitia sese opprimi pateretur, fed invicto animo adverfde fortis invidiam toleraret.
Eles querem repetir a história do passado, já o fizeram inúmeras vezes, com a 2 grande Guerra Mundial e agora o que pretendem fazer, condenação ?
João Felgar