Um dia escrevi que não poderia existir uma criatividade rigorosa sem se ser infiel a uma qualquer estrela fixa. E pensei em ti Frank, que serás sempre uma verdade tão distinta quanto aquela que só nasce e se recria, por ter vindo por dentro, na margem de segurança do passaporte que se não espuma nem se achega a qualquer grade.
Recordo “So long, Frank Lloyd Wright”, canção a ti por Paul Simon no álbum Bridge Over Ttroubled Water num original de Simon & Garfunkel , e também eu
I barely learned the tune
quando tu já abriras o segredo da arquitectura orgânica, tão bela e necessária à vida! E que bem a descreveste através da Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufman)e por ela também eu abri o armário dos vestidos de cerejas e os combinei gota a gota, reconhecíveis ao teu lápis e ao que a minha mão direita não descurava. E eis outro livro.
E eis outra organização de espaços interiores, residenciais, e simultaneamente expostos por pérgulas e intrincadas treliças de madeira que seguram o corpo principal da casa onde se apoia o poema.
A disposição das aberturas é também nossa comum preocupação: o material estrutural e de acabamento do criar pode ter terraços, telhados inclinados, chaminés com algum disfarce, mas sempre terá de surgir uma liberdade de paredes simples e limpa.
Afinal todas as peças diversas que tento combinar por óbvia e necessária clareza, devem entender que, umas dependem das outras, e que todas unidas serão ou foram a oração do caminho. E outro livro. E outro lápis teu Frank Lloyd Wright!
Enfim, colocámos o remo tão fundo que o próprio era e é uma lasca de visão total.
E eis que guardaria neste teu sideboard os mistérios macios, aqueles que são como o pó do marfim.
E são femininos esses mistérios, e teus, os traços que os acolhem.
So long Frank Lloyd Wrigth!
So soon!
I barely learned the tune!
Teresa Vieira



