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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

UM PASSAPORTE PARA O FUTURO NOS DIAS 

  

Os seres humanos alteraram a maneira como a Terra trabalha, edificaram sociedades e para elas imaginaram também coisas horríveis como os próprios modelos de tortura.

Com Benjamin Libet a escola das neurociências iniciou uma pesquisa sobre a consciência das pessoas, nomeadamente analisando a questão de saber se somos condicionados por um determinismo biológico ou se somos donos dos nossos atos.

Se pensarmos que o comportamento humano é determinístico e o livre arbítrio uma ilusão, afinal qual a migalha que nos restaria para a liberdade?

Seria então razoável esta crença crescente no destino, num jogo em que tudo é uma sorte e não uma atividade dotada de propósito?

Estaríamos, então, perante uma realidade sem liberdade quando tudo o que foi centrado no humano se esfuma?

Nassim Nicholas Taleb, (que já aqui chamamos a propósito da Teoria do Cisne Negro) insiste que somos «joguetes de aleatoriedade» e em consequência, muitas pessoas vivem para o momento já que as suas ações não têm poder para influenciar o futuro, e por essa razão, estamos a ser dominados pelo puro fatalismo.

Todavia, tudo o que reduz ou impede o nosso controlo consciente, torna-nos dependentes e vulneráveis até a uma tecnofobia, que não deveria ter lugar.

Cada vez mais necessitamos profundamente de conhecer que nós somos a nossa pegada e somos quem nos liberta e somos a nossa proposta com o sentimento de pertencermos a algo maior, e que sem este sentimento periga a vida: periga o nosso presente que é o nosso futuro.

Na verdade, precisamos de conseguir que o que queremos e o que gostamos tem um significado.

Precisamos de nos agrupar em prole de um interesse individual e comum.

E se o passaporte para o futuro for a nossa capacidade humana para sermos felizes, procurando o melhor conhecimento disponível a esse objetivo, é provável que outros utensílios de pedra sejam o que vai fazer de nós outros humanos, importando as nossas escolhas, e então o vazio ético que abunda, seria preenchido pelas nossas experiências face às decisões tomadas, e como afirma Schurger, «o compromisso chega quando se decide finalmente agir.»

Diria, pois, que esse compromisso é o que pode constar no nosso novo passaporte para o futuro nos nossos dias, e nele a nossa linguagem, aquela que nos descreve os pensamentos, e que é aquela que tem também o poder de imaginar com que ferramentas o mundo poderia ser diferente.

 

Teresa Bracinha Vieira

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