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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XCI – DO ABUSO DO INGLÊS AO DESDÉM PELO PORTUGUÊS

É crescente e abusiva a invasão da terminologia inglesa, incluindo a versão norte-americana, no nosso país.

O ser saudavelmente poliglota ou o uso de palavras ou frases estrangeiras no dia a dia, por necessidade ou por graça, não justifica o desdém pela nossa língua materna.

Além da omissão das autoridades em matéria linguística não terem por bem criar adaptações ao nosso idioma, há cada vez mais expressões portuguesas que são substituídas aleatoriamente por termos ingleses: ”chavões” por “soundbites”, “parceiro, sócio” por “partner”, “baixo custo” por “low cost”, “opinião, comentário, retorno” por “feedback”, “vistos dourados” por “vistos gold”, “mistura” por “mix”, “classificação” por “ranking”, “descarregar” por “download”, “em linha” por “on line”, “pausa para café” por “coffee break”, “clube, equipa” por “team”, “sítio” por “site”, “reunião” por “meeting”, “cartão presente” por “gift card”, “marca registada” por “trademark”, “tanto faz” por “whatever”, “exibir, exibição” por “show off”, “gerente” por “maneger”, “chefe ou diretor executivo” por “CEO”, “lugares, empregos para amigos” por “jobs for the boys”, “esboço” por “sketch”, “alvo, objetivo” por “target”, “boletim informativo” por “newsletter”,  “gosto” por “like”, “patrocinadores” por “sponcers”, “desempenho” por “performance”, “jogador” por “player”, “formadores de opinião” por “opinion makers”, “tempo” por “timing”, “treinador ou instrutor pessoal” por “personal trainer”, “leve” por “light”, “limpo” por “clean”, “adeus” por “bye, bye”, “estojo, equipamento” por “kit”, …

A que acresce o abuso em programas e concursos televisivos, como o Big Piture, Big Brother, Cook off, Got Talent Portugal e The Voice Portugal.  

Compreensível que se usem anglicismos, galicismos, etc, dificilmente traduzíveis, dada a sua especificidade, mas daí a uma permanente adulteração e corrupção do nosso idioma por desdém, ignorância ou provincianismo, não faz sentido.  

O que é mais censurável dado que, algumas pretensas ou autoproclamadas “elites” tidas como patriotas, puristas e acérrimas defensoras da nossa ortografia e idioma, nada dizem ou fazem para contrariar ou excluir esta progressiva invasão do vírus do anglicismo, ao mesmo tempo que, em contrapartida são, tantas vezes, obsessivas em defender e escrever na antiga ortografia, que também é consequência de uma gradual evolução ortográfica e lexicográfica, incluindo vários acordos anteriormente assinados (confronte-se a imprensa do século XIX, XX e atual).   


06.01.23
Joaquim Miguel de Morgado Patrício

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