auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

London Letters

The Leveson Report, 2012

 

A liberdade de imprensa estará ameaçada no United Kingdom? Tal fantasia suscitará sorriso largo nos insulares, a exemplo do royal baby que os Dukes of Cambridge esperam para o Verão. Todavia, isso pensará um forasteiro após ler os jornais, navegar nos blogues e rolar nos twitees que enxameiam Westminster. – Oh, le sens de l’humour britannique! Tudo porque, a fim de controlar inenarráveis malfeitorias de Fleet Street como o phone hacking do News of the World e mesmo a recorrente too close relationship entre jornalistas e políticos de todas as cores, o Leveson Report acaba de recomendar a substituição da autoregulação dos media britânicos por um powerfull new press watchdog. – Well, a cat in gloves catches no mice. A procissão só agora assoma no adro, mas congrega ingredientes de odisseia. O já histórico inquiry reconhece que uma Imprensa livre e responsável é condição inalienável da democracia, mas os milhares de páginas espalhados por quatro volumes contêm também um outro incontornável elemento: “Press behaviour, at times, has been outrageous.”

 

 

O Leveson Inquiry simplesmente não dececionou nos meios e nos fins. Após um ano de testemunhos demolidores into the culture, practice and ethic of the press, ouvindo desde Mr Tony Blair e Mr Gordon Brown a Mr David Cameron, Mr Robert Murdock e Mrs Rebekah Brooks ou Mr James Murdoch e Mr Piers Morgan a Mr Hugh  Grant, Sir Brian Leveson advoga um super regulador no setor em forma de Parliamentary Bill. Define que este seja independente de editores, governos e empresas, capaz de promover high standards e com poderes para investigar serious breaches e sancionar más práticas up to £1m fine. Quanto ao mais, entre as relações tendencialmente corretas com as polícias a par das perigosas transações de informação entre jornalistas e políticos e seus spin-doctors, Lord Justice é cirúrgico: defende a criação de a whistle-blowing hotline para profissionais under pressure to do unethical things. Ora, se os casos de abuso cursam nos tribunais envolvendo nomes grados do Murdoch’ empire – a ora infamous News International, – afigura-se que o Head do Sentencing Council for England and Wales assim redefine as traditionais configurações das teses libertárias e autoritárias sobre a comunicação social.

 

 

Inaudito é o súbito unanimismo em torno de Mr David Cameron. Ele é the hero of the hour. As reservas do Prime Minister a nova legislação neste domínio surgem no primeiríssimo comentário ao Leveson Report na House of Commons. O líder dos Tories questiona a respetiva necessidade, utilidade e praticabilidade. – Long time don’t see anything like this. A reação é efusiva. Se, em rigor, as primeira páginas não comparam às das Falklands war de Mrs Margaret Thatcher em 1982, o efeito de popularidade assemelha-se. O Premier é saudado como um homem de princípios e de coragem. Note-se o tom: “Cameron faces fight on press law” (Financial Times); “Cameron spikes press law” (The Times); “Cameron threat to veto Leveson” (Daily Telegraph); “PM rejects judge’s call to create new press ‘law’” (Daily Express); “PM no to Leveson press law” (The Sun); “PM rejects Leveson proposals” (Daily Mirror). O Guardian desafina neste coro: “PM defies press victims.”

 

 

Em suma, dear friend, contra o risco de censura, “Cam backs a free press.” Logo quando Mr Boris Johnson sugere a refundação da soberania britânica com a retirada da European Union. Argutamente escreve Michael Oakeshott, em Rationalism in Politics (1962) haver fenómenos políticos ininteligíveis in an unpoetical manner.

St James, 4th December

 

Very sincerely yours,

 

V.

Tags

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *