
Imagem/Fonte: Catu Online
Foi no dia de Natal. Nos seus proverbiais 105 anos, partiu Dona Canô. Lembramo-nos bem desse dia em que fomos até Santo Amaro da Purificação, numa das nossas épicas viagens dos Portugueses ao Encontro da Sua História. Passámos-lhe à porta, e nunca mais esquecemos a invocação sentida que aí fizemos de um verdadeiro símbolo do Brasil eterno. Dona Canô era um esteio fundamental. Mais do que a Mãe de Maria Betânia e de Caetano Veloso, era uma voz sempre presente, representante dos confins da terra bahiana. E quando ouvimos Maria Betânia e Caetano, sentimos que as palavras vêm da alma mais funda do Brasil brasileiro. «Quando o meu mundo era mais mundo / E todo o mundo admitia / Uma mudança muito estranha / Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria / No meu jeito de me dar» – diria Caetano. D. Claudionor Vianna Teles Velloso tinha várias vozes – as tradições, a língua, os costumes. D. Canô transmitiu à sua prole um romanceiro, que hoje aprendemos de cor, através da letra e da música de seus filhos… «Eu preciso de você / Porque tudo o que eu pensei / Que pudesse desfrutar da vida / Sem você não sei». Maria Betânia não nos permite que a esqueçamos!
Centro Nacional de Cultura