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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


142. PROMETEU E A REJEIÇÃO DA ORDEM ESTABELECIDA

Prometeu era um titã, um gigante, um profeta, um inventor, de quem Zeus temia o poder, cujo nome significa “aquele que vê antes”, com clarividência, perspicácia, que subiu ao Olimpo para roubar o fogo dos deuses (imortais) e fazer dos homens e mulheres (mortais) quase seus iguais.     

Ao subtrair o fogo dos deuses, fonte do conhecimento, entregando-o à humanidade, despertou a fúria das divindades, sendo punido pelo desafio sacrílego ao transgredir a ordem estabelecida pelos poderosos, advertindo-o do dever de ser obediente.

A interpretação do mito sob o signo de Prometeu, assenta na convicção de que todo o progresso resulta de uma rejeição do “status quo”, das ideias feitas, de que a evolução, transgressão e revolução intelectual promove o progresso humano, que o avanço científico e do saber é essencialmente profanador e ímpio, sendo de início recusado e repudiado, depois contestado, tolerado e, por fim, aceite, custando ao seu autor marginalizações, perseguições, por vezes a morte.

Ensinando ao homem a transformação e utilização das forças da natureza, de que pode ser senhor do seu destino, que graças à razão pode igualar-se aos deuses, dá-lhe a oportunidade de poder usar o conhecimento, tanto para o bem como para o mal, justificando-se a transgressão quando premiada pelo sucesso, passando de transgressor a herói, sancionado por todos, até que uma nova descoberta ou ideia de progresso se banalize, massificando-a.

Personifica o combate à tradição, a agressividade, inovação e desafio ao poder estabelecido, sabendo-se por antecipação que qualquer vanguarda ou progresso, pela sua própria essência de experimentação constante, está sempre condenada à efemeridade, pois outras alternativas acabarão por superar as anteriores.    


21.07.23
Joaquim M. M. Patrício

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