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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A FORÇA DO ATO CRIADOR

Nas próximas semanas Ana Ruepp publicará diversas ilustrações subordinadas a um tema ou uma citação.
Hoje, temos Hermann Broch.


“…por cima de todo o sonho que o homem sonha, flutua uma claridade do cósmico…”, Hermann Broch.

 

Essa necessidade de transcendência e de liberdade foi a grande marca de Hermann Broch, um dos grandes intelectuais europeus do século XX. Escritor austríaco de etnia judaica, nasceu a 1 de novembro de 1886, em Viena. Filho de um industrial têxtil, recebeu os fundamentos de uma educação técnica, tendo servido durante a Primeira Grande Guerra na Cruz Vermelha austríaca. Pelos cafés de Viena tomou contacto com figuras da intelectualidade austríaca, como Robert Musil, Franz Blei e a jornalista Ea von Allesch. Broch romperia com Milena Jesenská, que começou uma relação com o escritor Franz Kafka, para se juntar a Ea, mais velha onze anos. Em 1909 tornou-se crítico do Moderne Welt, sobretudo graças aos contactos de Ea, que o encorajou nos seus esforços literários. Ao cabo de muitos anos de trabalho na empresa da família, decidiu, aos quarenta anos de idade, dedicar-se por completo à escrita. Divorciou-se e ingressou na Universidade de Viena como estudante de Matemática, Filosofia e Psicologia, de 1926 a 1930. Em 1927 havia resolvido vender a fábrica. Aos quarenta e cinco anos de idade publicou o seu primeiro romance em formato de trilogia, “Os Sonâmbulos” (1931-32), que tratava da desintegração dos valores culturais na Alemanha de 1880 a 1920. No mesmo dia da anexação da Áustria à Alemanha pelas tropas alemãs, Broch foi detido para interrogatório. Auxiliado por James Joyce e outros escritores amigos, conseguiu uma autorização para emigrar da Áustria. Mudou-se primeiro para Londres, depois para a Escócia e, finalmente, para os Estados Unidos da América, onde se fixou em Princeton. Por falta de títulos académicos, foi-lhe negada uma posição nas universidades de Princeton e de Yale. Recebeu, no entanto, bolsas de várias fundações. A partir de 1940 envolveu-se na ajuda humanitária a refugiados, pelo que muito dos fundos que recebeu foram distribuídos por outros refugiados de guerra europeus. Em 1945 concluiu, nos Estados Unidos, “A Morte de Virgílio”, obra constituída por quatro partes – a água, a terra, o ar e o fogo – que é considerada um dos grandes monumentos da literatura do exílio. Passou os últimos anos da sua vida próximo da Universidade de Yale. Tornou-se, em 1949, docente do Saybrook College. Faleceu na véspera de uma viagem planeada à Europa, vítima de um ataque cardíaco, a 30 de maio de 1951.

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