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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

O que está no horizonte das possibilidades 

  


Os saberes têm provado que a humanidade só muda na aparência.

A fila dos absurdos na falta de espessura dos humanos perdura até que um e um outro Leviathan

vençam.

O tempo abstrato regista as medulas inclinadas até ao chão.

Até os heróis perdem a decifração do que se passa e perdem-se a eles mesmos num lodo que lhes apaga os vestígios das pegadas do existir.

Os deuses, os deuses

desencadearam há muito um projeto totalitário: o monoteísmo e outros que se lhe entrelaçam e reinam.

Púdicos, confusos, os homens precisam de mimos e encostam-se uns aos outros dentro do mesmo ouriço, numa caminhada sem ato de vontade, prisioneiros-alvo, no cais que agora só os reproduz iguais.

Também se chora a ler versos sem os entender, desconhecendo se se imagina a pungência, ou se apenas umas coisas vão tirando as outras e todos se consolam como nobres figuras.

A plasticidade foi excessiva nalgum ponto de luta e a casa de cada um deixou de ter forma, telhado ou halo.

Mas eis que rebenta uma flor, uma flor que conhece o que está no horizonte das possibilidades, uma flor com aroma e com um pio que orienta cegos; uma flor tão sensata que conhece os limites da liberdade; uma flor que concluiu que a finitude estimula a formação de projetos, mesmo que o horizonte seja chão, solidão essencial ou sobressalto.

E eis que os saberes confluentes assomam assim na natureza nua.

E eis que a flor expõe de novo o vínculo grandioso que nunca se apossou da totalidade dos possíveis.

Teresa Bracinha Vieira

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