O rio corria miúdo feito riacho largo e solto. A água precipitava-se pedras abaixo até que em jeito de cascata vertia para um pequeno lago verde e calmo. Que poderia fazer agora?
Olhou de lanceiro o rebanho quedo e lanzudo que o olhava também cheio de perguntas,
e arrastado, não sabendo porque fome de aventura, logo se despiu e mergulhou naquela pia batismal, no compromisso do quando finalmente
chegara a sua vez.
E ali, ali ninguém viria quebrar-lhe o abandono.
Ali, era agosto que lho pedia!
No rapaz-pastor de um passado já muito longe, cabia agora o homem-presente:
barro, no localizar-se no mundo;
barro, no somar as metades de uma serra;
barro, nas moradas do rebanho pelas noites;
barro, no segredo da sua intimidade;
barro humano que pergunta a quem?
Depois, vestiu-se, e o silêncio que lhe assistia e que dele se não arredara nunca,
companhia, companheiro,
seiva madura
que de tanto nada dizer sempre foi verso, reverso, medalha, sepultura, e Cristo ao ponto de lhe ouvir a voz.
Depois, de novo depois, lentamente
foi dobrando a vida até que os extremos se tocaram.
Afastou-se então passo a passo,
deixando atrás de si a água pastada tão rumorosa como um canto.
E nem de propósito, ou porque estava escrito, lavou a cara com as lágrimas, chamou o cão:
que foi, que foi? Não te cheiro ao mesmo?
Teresa Bracinha Vieira