À noite, no arraial, era agosto a dançar na ideia dos beijos de setembro. Ah! setembro na vindima!
Bastava a ideia para o cansaço se evaporar.
Eram jovens ainda
e no calor do contacto entre eles, sumia-se o sono das ave-marias, e que o terço durasse o que durasse
para que as folhas das videiras pudessem ter tempo de rogar por um escondido tão escondido,
que aquele cacho de tão belo e grande e sumarento,
ninguém o cortaria não,
pois era amor, era desejo, era deslumbre, tudo confessado em redondo,
e era vinho que de tão santo era capaz de muito,
e como amor com amor se paga,
na véspera de uns meses depois, o anúncio de que haveria no ano seguinte um Natal com o rosto universal de mais uma vida.
Teresa Bracinha Vieira