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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA


Henry J.Y.King


Há que entender o mistério da amizade sem a meter ao mesmo nível essoutras amizades comuns, as que Aristóteles referia: «Ó amigos meus, não há nenhum amigo!»

Acham-se muitas pessoas aptas a relações superficiais, mas quando o trato se estabelece a partir do fundo do coração, necessário se torna que tudo seja límpido e fiável e a raridade desta situação leva a que se diga:

se encontrasse um amigo e se fossemos os dois boa luz dessa amizade, nada nos poderia comparar.

E vislumbrar a sombra de um amigo? sem andar à cata de outros? seríamos então metade de tudo um para o outro sem nos roubarmos parte alguma um ao outro.

Seria grande a fortuna de sermos um de dois em todo o lado dos tempos, e nenhum sobreviveria inteiro, se o outro partisse.

Não haveria limites para a saudade se essa realidade acontecesse. Não haveria nada mais certo de que o amigo-irmão seria sempre amado nessoutro mundo para onde os rios sempre correm.

Mas se os próprios rios ora se esparzem ora se contêm e até por eles entra o mar, como não relacionar estes factos com a vida da amizade, grande senhora da topografia dos sentires que nos dá novas do resto do mundo e assim se assume e arrisca.

Na verdade, o mistério da amizade produz um ninho de avezinha e acha-se muito próximo de um primeiro estado natural, mesmo quando o mais usual seja sermos melindrosos juízes das suas dissonâncias e quase cegos das nossas; seja mesmo, no limite, aceitarmos que o amigo pode ser imprevisível, mas afinal nunca vencido em paralelo, e este grande mistério da amizade envolve sim, o marchar à frente das razões quando se enfrenta a vida.

E combatemos assim, e combateremos assim por uma nação sem sucessões, riquezas, superioridades, servidões, parentescos, e de lá nunca sairá um amigo doente ou um amigo que agrade às brumas dos espíritos comuns.

Teresa Bracinha Vieira

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amizade

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