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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    Vasco Graça Moura © José Coelho/Lusa


210. LIBERDADE PARA UMA OPINIÃO LIVRE E ESCLARECIDA


“Não sinto propriamente a obrigação de, como escritor, fazer ouvir a minha voz como exercício de uma dada responsabilidade de intervenção cívica. Isso pode, na prática, acontecer ou não, mas não terá de obedecer a um programa ou a uma contrição ideológica. No meu caso, não obedece com certeza. As minhas responsabilidades enquanto cidadão não têm forçosamente de irromper ou de se projetar nas minhas produções enquanto escritor. Mas admito perfeitamente que haja quem pense ter essa responsabilidade nos termos enunciados e o faça em coerência com tais conceções. Tanto uma opção como outra devem ser estritamente respeitadas por toda a gente”
(Vasco Graça Moura, JL n.º 1105, sublinhado nosso).

A formação de uma opinião livre e esclarecida é essencial numa sociedade democrática, onde a liberdade de expressão, informação e de criação artística serão maiores quanto maior o seu grau e valor. 

No culto dessa liberdade o que mais nos deve entusiasmar é o que não sabemos (não o que sabemos), com experimentação e consequências em todas as artes e saberes, sabendo interpretar a beleza e a criatividade associadas ao 25 de abril e fazendo valer a liberdade pela liberdade e a arte pela arte.   

Há que contrariar  qualquer tarefa autoritária, ditatorial ou oficial de fixação de dogmas e normas ideológicas a que as artes, artistas, investigadores e opinião pública se devem submeter através da imposição de uma arte ou ideologia estadual, tendo-os como um mero meio ou instrumento de transformar a sociedade para fins utilitários ou deterministas, e não como um fim em si mesmo.       

Mesmo sabendo-se que a criatividade, enquanto elemento de combate e de intervenção, pode ser um modo especial e extremamente eficaz de luta pela liberdade a favor dos oprimidos e mais desfavorecidos, isso não nos legitima a respeitar apenas uma opção, proibindo a outra, dado sabermos que sempre houve quem preferisse o campo dos dominadores, dos opressores ou dos indiferentes e tivesse elaborado e deixado uma obra que perdurará.


25.04.25
Joaquim M. M. Patrício

4 comentários sobre “CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  1. “comentar o post”, propõe o Sapo/Blogs. Porém, tanto quanto a minha vista alcança…, ninguém, minimamente consciente da sua coerência e honestidade intelectual poderá beliscar a verdade de outrem, neste caso o post em apreço. comentar pressupõe “implicar”, “rebater”, “acrescentar”, etc, sendo que um post é a verdade do seu autor, verdade essa (para todos os efeitos: sagrada e inviolável), se bem q, noutro contexto, eu pudesse fazer um juizo de valor a respeito. Portanto, o q me faz reter-me uns minutos por aqui não é fazer reparos (cometar o post) mas, sim, manifestar o meu espanto por não ver /ler aqui um resquicio de elogio à leitura nos tempos livres ! Nota: a total ausência da pedagogia da leitura nos tempos livres, por parte de: escritores, editores, criticos literarios, livreiros,leitores, literatos e “intelectuais”, em geral, é um normal a que já estamos habituados. valha-nos Deus ! hmm !?

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