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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    Fotograma do filme “Peço a Palavra!”


212. A VERDADE

Se se aceita que a verdade existe acima da nossa vontade e não é criada por nós, seja ela genuína ou moral, conclui-se que é uma descoberta, pois há leis da natureza e morais que nos ultrapassam, que foram descobertas pela ciência e codificadas na tradição do direito natural e universalidade de direitos tidos como inalienáveis.   

Se se aceita que não há verdade objetiva, de que só há vontade e perspetivas subjetivas, tudo é relativo, não se aceitando qualquer universalismo (científico ou outro) e os direitos indisponíveis, entre estes os direitos humanos, surgindo um indeterminável número de narrativas sem validez objetiva.   

Aceita-se, em qualquer caso, que temos de ser nós a decidir-nos por uma vontade normativa e modo convivencial para podermos viver, mesmo que se argumente que a verdadeira essência da condição humana está no caos e se aceite que há uma verdade ficcional onde a verdade autêntica não vem ao de cima.

Se a verdade implica sempre uma decisão, uma opção, como algo que lhe é inerente por natureza, pode concluir-se que ser imparcial é impossível, não é natural nem humano.

As pessoas querem ver-nos a concordar ou a discordar, a aprovar ou desaprovar, tomando uma posição, e não a dizer nada ou não tomar partido.   

Mesmo quando ocultamos os nossos sentimentos e maneira de pensar, tentando ser neutros, há sempre uma interação entre duas ou mais pessoas no espaço público, onde há uma soma de regras que é necessário respeitar, assentes numa vontade/verdade convencionalmente estabelecida, que é a verdade possível, onde a tolerância da pluralidade de ideias não pode ser feita sem filtros.  


09.05.25
Joaquim M. M. Patrício

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