auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

Categories

Poesia

POESIA

Essa avó das avós

1.
Essa avó

das avós

que carregava o mundo todo

e contava

como se faziam os caramelos

com a nata do leite que sim

podia vir das montanhas

de qualquer coração

2.
Essa avó

das avós

toda de luto no vestir e no sentir

que essa tristeza além de si, o sabia

ter outro além

e sobretudo

quando

rezava o terço

de um lugar distante

3.
Essa avó

das avós

tão luminosa no cuidar

tão tempo de essências

tão caminho à casa

tão significado

em todos os semeares

e nos bordares dos lenços

a ponto-pé-de-amor

4.
Essa avó

das avós

tão mãos de lua, de silêncios e sorrisos

e nos ombros

o desassossego dos sonhos

a perder-se de si e a encontrar-se

quando recriava a luz dos pirilampos

invisíveis

5.
Essa avó

das avós

uma noite, à beira-hora

descansou

carne, terra, mar, instinto, poesia,

bosques, vulcões, recordações, travessias

e logo o voo

do pássaro-andarilho

 

uma outra luz


Teresa Bracinha Vieira

Tags

avós poesia

2 comentários sobre “POESIA

  1. “La femme n’a pas cessé depuis les origines
    de prélever pour elle la fleur
    de tout ce que produisaient la sève de la Nature
    et l’artifice humain
    Qui pourrait dire en quel bouquet de perfections
    individuelles et cosmiques
    je m’épanouirai au soir du Monde
    à la façe de Dieu ?
    Je suis l’immarcescible Beauté des temps à venir…
    Je suis l’idéal Feminin
    Que dans les longs plis de mes charmes
    se déroule toujours vivante
    la série des attractions successivement traversées
    qui depuis les confins du Néant
    ont fait accourir et se rassembler
    les éléments de l’Esprit…par amour
    Je suis l’Eternel Féminin”
    Teilhard de Chardin, 1918

    1. Estimada leitora:
      Em muito a sua citação diz da marcha do mundo no feminino.
      Busquei num livro de helénicos contos o seguinte:
      “Mas mãe, minha mãe, que vestido uso hoje? O dos favos de mel azul?
      Mãe, minha mãe, que faço eu com estas chaves?
      Filha minha que as não posso olhar. Lia-as na minha boda e depois para te criar. Tive uma lança na mão que atirei ao meu peito. Nada te disse, pois não sei como se ensina o falar estranhas coisas. Roubei joias para ti.”
      E sempre a transcendência-significado será o alcance.
      Grata pela sua atenção.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *