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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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FERNANDO AMADO NAS ORIGENS DO CNC

Fernando Amado
Isabel Ruth, Fernando Amado, Manuela de Freitas e Glória de Matos | CNC, 1960

Já aqui temos referido a participação de Fernando Amado em ações e iniciativas do Centro Nacional de Cultura – e isto, na pluralidade de interesses e áreas de intervenção cultural e cívica que o Centro, por um lado, e Fernando Amado, por outro, ao longo de dezenas de anos desenvolveram e desempenharam em comum.

Ora, na edição das Peças de Teatro (NCM – 2000) organizada por Teresa Amado e Vítor Silva Tavares, encontramos um levantamento exaustivo da intervenção de Fernando Amado como dramaturgo, encenador e animador teatral: e verificamos como grande parte dessa ação notável passa pelo CNC.

E isto, desde muito concretamente 1946. Nesse ano, em 16 de junho, Fernando Amado estreia-se como autor-encenador, produzindo no velho Teatro do Ginásio até 30 de maio de 1947, seis espetáculos no âmbito do então recém-criado (1945) CNC: “O Meu Amigo Barroso”, “Música na Igreja”, “O Ladrão”, “Novo Mundo” e “A Caixa de Pandora”. A seu tempo iremos analisá-las.

E é interessante recordar alguns dos nomes que colaboraram nessas produções, e desde logo Carlos Botelho, António Dacosta e António Lino como cenógrafos e figurinistas, mas também, como jovens e insólitos atores, alem do próprio Fernando Amado, Maria da Soledade Freire de Oliveira, Margarida Perestrelo Castro, Ricardina Alberty, Rui Cinatti, Afonso Botelho, Vasco Futcher Pereira, Gastão da Cunha Ferreira, Flórido Vasconcelos, Martim Lencastre Cabral, Maria José Meneres de Castro… Ora, destes nomes, a maioria marcou, e muito, a cultura e a vida pública portuguesa até hoje!

Mas agora refira-se que a colaboração dramatúrgica de Fernando Amado com o CNC recomeça, ao nível da produção de espetáculos, em 1960, com cinco produções: “Antes de Começar”, do próprio autor-encenador, “O Contrato” de Marinetti, “Passadismo” de Stinelli, “Génio e Cultura” de Boccioni, “O Marinheiro” de Fernando Pessoa (encenado também no Brasil em 1962) e, mais tarde, “O Morgado de Fafe em Lisboa”, de Camilo Castelo Branco.

E a partir de 1963 essa colaboração com o CNC reforça-se e estabiliza com a criação da Casa da Comédia e a produção de sucessivos espetáculos, quase todos de autores portugueses (Gil Vicente, Pascoaes, o próprio Fernando Amado, e ainda Soror Juana  Ines de La Cruz / Manuel Bandeira ou Jean Cocteau) mas sobretudo Almada, com a reposição do “Antes de Começar” e sobretudo, insista-se na expressão, com a revelação do “Deseja-se Mulher” (1963), dirigido por Fernando Amado. Já aqui falamos dessa grande peça.

DUARTE IVO CRUZ 

2 comentários sobre “FERNANDO AMADO NAS ORIGENS DO CNC

  1. Comecei a ler este texto na certeza de que seria referida a morte de Teresa Amado, ocorrida há poucos dias, ela que até pertenceu à direcção dessa casa, o Centro Nacional de Cultura. Lamentável omissão.

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