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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
  © Rota Vicentina 


226. PREENCHER TEMPOS LIVRES

Há um tempo para desporto e assistir a jogos, ir ao cinema e ao teatro, ler, estar aborrecido e agitado, sonhar, caminhar, correr, estar desocupado ou, simplesmente, não fazer nada.       

Os interesses impessoais são fundamentais para ter interesse por tudo o que não tenha uma utilidade relacionada com o nosso trabalho profissional e as obrigações que nos são impostas socialmente. Uma das causas da fadiga, da tensão, da impaciência e da infelicidade é a incapacidade para ter interesse por tudo o que não tenha importância prática na nossa vida.     

Ter outros interesses, além do trabalho, é ter também capacidade para ocupação dos tempos livres, para nos conhecermos melhor, para contemplar, meditar, sendo momentos de descoberta da dimensão interna da vida que são essenciais para nos compreendermos e interagirmos com o outro.   

Os tempos livres fazem bem à saúde física e mental proporcionando, em pessoas isoladas, convívio e a oportunidade da conquista de amigos, mostrando que há vida para além do teclado do computador e do telemóvel aos seus dependentes. Não se torna imperioso organizar todos os seus momentos de ocupação, sendo aconselhável que seja expurgada a obsessão de os preencher a tempo inteiro. Também há um tempo para estar infeliz, para não dizer e não fazer nada, para o ócio e o tédio, o que não é fácil, mas muito difícil, exigindo toda a nossa energia, o que pode não parecer natural e humano, mas é. Tal como o estar feliz, que devemos ambicionar, e que varia de pessoa para pessoa.         

Em qualquer caso, os tempos livres são sempre recomendáveis, e apenas se recomendam, não se podendo impor, sendo difícil não haver opções para o seu preenchimento, o que se pode obter por meio de um esforço bem dirigido, sob pena de se poder sofrer de algum desequilíbrio.


19.09.25
Joaquim M. M. Patrício

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