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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

Há que dispensar o cocktail da política do ódio, da mentira, do pessimismo

  

As desigualdades mais revoltantes não se gerem no descompasso dos processos simbólicos do inverso das coisas más serem as boas e de imediato identificá-las com o bem personificado na pessoa-divindade que se assume como tal.

Todos temos os nossos constrangimentos externos e internos que balizam o exercício das liberdades e nos instam a entender que ninguém escolhe livremente agendas na totalidade, o que também não nos condena a escolhas de óbvios defeitos e horrores.

O modelo avatar condiciona processo e resultado, circulação de narrativas e imagens, e procura o controlo da ignorância oferecendo-lhe os mais lustrosos jogos simplistas que se encaixam em todos os preconceitos considerados de senso comum, qual receita de controlo completo à escala planetária.

O enfraquecimento do ensino, da educação, dos meios de comunicação, a multiplicação de canais sem evoluções substantivas, a própria Internet, tudo emergiu numa mercantilização tremenda pela atenção humana.

As próprias teses do conspiricionismo já descobriram há muito a importância dos discursos a soundbites pois a atenção das gentes já não se mantém para além do instantâneo.

Muito, demasiado mesmo, se entregou ao poder do dinheiro, enquanto as dores se não queixavam dos ataques sem precedentes que as provocavam e que advinham da decisão referida ao poder puramente mercantilista.

Há que gerir as compatibilidades que impedem a vida dos naufrágios em naufrágios e, para tal, a simples força de vontade poderá não ser suficiente, e por essa razão as mutações devem ser usadas para convergir e virar os tortuosos e apocalípticos jogos em decisões conscientes num outro caminho de humanidade real.

A própria heterogeneidade espicaça a criar conteúdos e a descobrir o razão do mais urgente, e se não estivermos a ser apenas reativos, produziremos um modo de nos entendermos a nós próprios e às sociedades, evitando o extremo saque do mundo e a anulação completa de sistemas que ainda têm muito para serem refundados.

Para tanto dispense-se de imediato o cocktail da política do ódio, do pessimismo, da mentira.


Teresa Bracinha Vieira

2 comentários sobre “CRÓNICA DA CULTURA

  1. Obrigada!
    Atualmente, há pessoas que usam precisamente o cocktail que referiu e são fiéis frequentadores das quatro paredes onde julgam melhor contribuir para o “bem personificado na pessoa-divindade”. A inter-influência político-religiosa é histórica. Ainda que nos mantenhamos, nas religiões do nosso nascimento, é urgente transformarmo-nos e renascermos, o que é muito diferente de papaguear. Foi Jesus nascido de sua Mãe (Terra) que nos trouxe o Amor, o que está em completo desacordo com o mencionado cocktail. É preciso pensar com contínua autenticidade, integridade e consciência.
    A nossa consciência brota de uma profundidade que não conhecemos inteiramente, acorda todas as manhãs,”como uma criança que nasce todos os dias do fundo primordial materno do inconsciente” (Zur Psychologie ostlicher Meditation, 1943).

    “Às vezes, um homem consegue ser a palavra
    Entre a terra e a terra
    E abrir uma porta.” António Ramos Rosa, cf. T. Vieira, 2007

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