Planear para o humano
Não basta reduzir a pegada do nosso consumo para que a natureza regresse.
Qual é a capacidade de carga de um ambiente para cada espécie? Nesta resposta reside a essência do equilíbrio na natureza.
Mas, apesar dos avisos temerosos que recebemos, usamos bem mais do que aquilo que nos é imprescindível; comportamo-nos na ideia de que nada nos travará e a catástrofe que se desenrola à nossa volta é prova disso.
A perda da biodiversidade e a mudança climática apontam que nos aproximamos depressa da capacidade de carga da Terra. A nossa exigência para com a natureza é a de a sobrecarregar a cada instante e esta sobrecarga que lhe impomos é o núcleo da nossa insustentabilidade, devorando todos os recursos.
O que se aproxima é o que resta depois do nosso cobrar superior ao que nos está disponível.
O Modelo Donut refere a importância do abrandamento do crescimento da população para que se possa melhorar a vida de todos numa relação entre a prosperidade económica e o atendimento dos aspetos sociais, sem que se ultrapassem os limites ecológicos.
Parece que a melhor forma de estabilizar a população consiste em auxiliar os países menos desenvolvidos a poderem concretizar o modelo acima mencionado, o que implica, necessariamente, e entre outros objetivos, oferecer melhores sistemas educativos e criar caminhos de saída da pobreza.
A transição demográfica, termo utilizado por geógrafos e que descreve as etapas a percorrer pelos países no seu desenvolvimento económico, pressupõe várias fases de transição a que devemos estar atentos, não descurando o quanto, por entre as melhorias sociais, se descobriu que o empoderamento feminino reduziu a dimensão das famílias, já que a liberdade de escolha ofereceu opções às mulheres e estas optaram por ter menos filhos a fim de poderem realizar outras aspirações de vida.
Dar às pessoas uma maior oportunidade na vida é seguramente o que todos queremos numa fantástica solução em que todos ganham.
Curiosamente, o que temos de fazer para recuperar o mundo natural tende a ser o que deveríamos fazer de qualquer modo.
Mas insistimos que um futuro mais justo para todos passa também e necessariamente pelo imperativo encontro com o caminho de saída da pobreza e pela maior realização pessoal feminina, ambos muitíssimo assentes no investimento em sistemas sociais e educativos.
E, talvez por aí se indique uma saída para a redução do pico da população mundial: talvez por aí um equilíbrio razoável num mundo mais fiável e, mesmo assim, não será nunca o único objetivo final da nossa jornada na Terra.
Teresa Bracinha Vieira