Antonio:
Es bueno ir por las calles y escutar tus passos. Antonio, Antonio, acaso estemos en igual tormento? Pois eu creio que existe uma juventude da dor quando Deus com um sopro faz rolar toda a areia de uma praia, expondo imagens que não deviam ser vistas. E se uma mulher astral, espera, nessa hora, o seu vestido à deriva, diz-te que flui o desvelo dos vigilantes.
Luni, meu camino de mar pronto que se levanta como um grito inmenso, cobiço-te
como el musgo cobija las paredes.
E conheces-me de há muito no eixo dos teus sonhos, e um dia, enviaste-me la noche como una promessa de vigília! Yo de espalda sedosa y firme de encontro ao rochedo dos tempos seguintes, repousei el grito definitivo y certero.
Nadie me há enseñado una lágrima.
Nada.
Y Dios solo era verdade en el silencio. Luni?
Aquele que viste, não era o estrangeiro, era yo a llorar sobre la tierra.Yo la própria impotência de levantamiento. Eu a tentar compreender o código do amor de Deus enquanto desfiava rosários de joelhos para te amar louco e sem razões.
António, em Israel, o estrangeiro foi testemunha do como se pode arrancar o mundo de um nada. Amar apesar dos riscos, por vezes apocalípticos e de assimétricas tensões, pois que assim mais doem pelos beijos
Oh qué dura, feroz es la frontera
Ambos estamos de igual maneira ?
Não, a inflexibilidade do destino grego, impede, por uma migalha, que os humanos sintam o mesmo, à mesma hora e pela mesma razão.
Para o ocaso foi a asa de um pássaro. Meu mundo de sede. Meu mel desesperançado. Depois desenhei no chão da praia um jogo sem sentido, tremendamente solitário. Joguei-o para o deus jogador, insaciável à tragédia do estar-no-mundo. Mis lágrimas entram en la luz.
Miro a mi amor, Luni.
Esteve o estrangeiro perto de la nudez de tus pechos? Reduziu-se à sua condição de homem? Ou por distracção de um anjo ficou sozinho a olhá-los enquanto o jade de um deus lhe impedia a nitidez?
Não sei. A minha ideia era só a de que Deus não precisa de ninguém.
Sim,
Es bueno ir por las calles y escutar tus passos
e ainda assim é bom de quando em vez pensar que quiero morrir en libertad como um caso de luz incorporada
o centro da luz que escuta o quanto não tens piedade do estrangeiro,
Ah António o universo e a criatura. Nada mais peças ou não tivesses sido um imenso ouvido
Es bueno ir por las calles y escutar tus passos
Luni, ah a pureza das facas abandonadas.
Sim, o zero e a completude são de uma claridade sem descanso.
Así las cosas
Teresa Vieira
Sec. XXI (Oviedo em 1931)
