Saberão os mais jovens que as estrelas poderiam estar visíveis e que uma paisagem iluminada só pelas luzes das estrelas ainda é possível?
Saberão os homens da sua condição e ao que os obriga a sua própria mão?
Temos de voltar a permitir que a vida nos olhe, que a Terra nos queira e que a razão nos acorde.
Os frutos nascem dos pomares podados porque escutam as canções que os ribeiros cantam.
A vida anda prenha de poesia e de pão com sal, e de amor e cio, e também de invernos e lutos de múltiplos fios a apertarem as seivas num nó cruel, como a fome e como os beijos submissos.
Mas os seios que dão sonhos e alimentam os sentidos onde começa o paraíso levantam todas as enxadas.
E é preciso que resgatemos as estrelas e que na nossa cama durma um deus que nos aceite humanos, com asas a certas horas, aquelas do mosto, que tem gente do tamanho natural e que sorri como as pedras e com a candura que traz consigo a força do aprendiz que diz:
– Sei que as estrelas me curam, e que desfolhadas podem cheirar a rosmaninho, sim. Olho-as nos olhos e sei que não são mentira, mas sim expressão livre no seu lugar erguidas;
mais, muito mais do que qualquer mito.
Teresa Bracinha Vieira