Confiando e empenhando-se a presente contemporaneidade na especialização, em que o valor do conhecimento é medido, essencialmente, pelo retorno económico, torna-se necessário que o saber, associado à cultura geral, seja visto como um fim em si mesmo transversal a todas as profissões e saberes.
Instituir, em todo o ensino, uma disciplina de Cultura Geral, como obrigatória e universal, é enriquecer não só o indivíduo, mas também a sociedade.
É de um vazio assustador cidadãos comuns, jovens e adultos licenciados serem ignorantes em conhecimentos básicos de cultura em geral, tanto da História de Portugal ou universal, de geografia, filosofia, literatura, música, ciência, direitos humanos, língua, ideias, ideologias, fotografia, pintura, entre outros, que deveriam ser tidos como adquiridos num relacionamento social saudável, ajudando a desenvolver um pensamento e raciocínio criativo e crítico.
Disciplinas autónomas como História, Geografia, Filosofia, por exemplo, parecem não ser, por si, suficientes, o que indicia ser insuficiente a formação inicial em idade escolar, havendo necessidade de uma formação complementar para elevar os níveis de conhecimento, sendo aqui, através de um cruzamento de saberes, que a Cultura Geral poderá ter a sua liderança e magistério de influência.
Ao oferecer uma base, que se considera fundamental, de cultura geral, serve para saber mais em termos gerais, com o contributo das artes e humanidades, ciências naturais, sociais, psicologia, economia, sociologia, norteada por uma visão global de horizontes vastos, no sentido de uma preparação o mais ampla possível, em que os alunos e o cidadão em geral circulem por todos os saberes.
Trata-se de um outro tipo de formação, para lá da de índole técnica, que ajude a complementar e formar, por via de se saber mais, um espírito analítico e crítico que tendemos a esquecer com a especialização em que vivemos, tantas vezes vista como um meio para ter um emprego.
A mera avidez de bons desempenhos económicos e financeiros propicia a secundarização e desdém pela não exercitação de faculdades, ferramentas e competências indispensáveis a preparar as pessoas para que sejam capazes de pensar por si próprias, e não comandadas e substituíveis por máquinas.
Sem esquecer que é maior o risco de sobrevivência da democracia quanto menor for o desejo por saber mais, pelo espírito/pensamento crítico e pela Cultura Geral.
Joaquim M. M. Patrício
Crónica Pluricultural n.º 257 de 24 de abril de 2026