Em setembro de 2011, por carta registada com aviso de receção, endereçada ao presidente do Conselho de Administração da Fundação Champalimaud, em Lisboa, foi exteriorizado descontentamento pela omissão em português da designação “Champalimaud Centre for the Unknown”, que sobressai singularmente para quem se desloca de Algés para Lisboa ou no sentido inverso.
Embora aceitando o nome em inglês, como língua veicular contemporânea, foi expresso não se compreender a omissão do nosso idioma, que aí deveria constar, obrigatoriamente e em primeiro lugar, como língua costumeira e oficial constitucionalmente consagrada, sendo certo que se não formos nós, portugueses e lusófonos, a defendê-la, não serão os outros, por certo, a terem essa obrigação.
Obteve-se, como resposta, no mesmo mês, “… que a identificação Champalimaud Centre for the Unknown tem, sobretudo, por objetivo o reconhecimento a nível internacional de uma instituição de carácter científico, tal como outros institutos científicos o fazem nas várias atividades que desenvolvem, e apenas como exemplo, nas publicações em edições científicas”.
Agradeceu-se e considerou-se a resposta insatisfatória, pelo que, no mês seguinte, insistiu-se, enfatizando ser injustificável a omissão do nosso idioma materno e oficial em solo e território português, não se tendo obtido retorno, o mesmo sucedendo com missivas datadas de setembro de 2012 e 2013, apesar de todas registadas com aviso de receção.
Solicitou-se que se desse conhecimento da correspondência, até então enviada, ao Conselho de Administração/Presidência da Fundação ou ente superior adequado para o efeito, dado não o ter sido quem subscreveu a única resposta e os subsequentes recebimentos, sinalizando-se ser no mínimo incomum, obter-se, como contrapartida, uma só resposta, apesar de haver comprovativo e prova da receção dos demais avisos.
Eis-nos em 2026, decorridos mais de quinze anos desde o envio e recebimento da primeira carta, sem nada se alterar, permanecendo, tão só, em inglês, a denominação “Champalimaud Centre for the Unknown”.
A que acresce, mais recentemente, desde a sua inauguração e como parte integrante da Fundação, o “Botton-Champalimaud Pancreatic Cancer Centre”, com a designação apenas em inglês.
Palavras para quê?
E há que perguntar: a nossa pátria é a língua inglesa?
Joaquim M. M. Patrício
Crónica A Língua Portuguesa no Mundo CXVIII