Tu foste, neste dia, Vasco, ver
a luz dos versos todos que escreveste
e o sentido final do que disseste,
p´la mão escura da morte esclarecer
o que Petrarca trazia escondido
e em Shakespeare não fazia sentido,
e onde, em Rilke, encontraste romantismo,
e no divino Dante as estações
finais das nossas peregrinações…
E, em ti, ó português, o saudosismo
que tantas rimas tuas incendiava
letras de fado, pela madrugada,
pois que é passeio esta vida e mais nada…
Beije-te a luz que o coração amava!
Camilo Martins de Oliveira
