Ter sido sua aluna foi para mim uma exigência inadiável: um inesquecível privilégio.
O meu caminho dirá sempre de Aranguren. Dirá sempre que não existem senão pessoas capazes de ter lucidez e coragem para a decantação dos pensamentos. O quanto lhe devo? Pois nunca saberei, e se o soubesse não seria capaz de o dizer. Sei que as suas palavras em muito me provocaram para uma aprendizagem que reside na clareza do significado. No quanto, a morada, onde reside a honra, deve aceder à mobilização do ser, no combate do primado de uma ética em profunda e depurada concepção humanista.
A obra ética do Professor Doutor José Luis Aranguren é atenta em estar « al nível de los tiempos» como reiteradamente Ortega Y Gasset apontava o sentido da tarefa intelectual, propondo alternativas válidas para o aperfeiçoamento da essência ética dos seres humanos.
Nunca esquecerei, entre tantos outros livros deste grandioso Tratadista, o admirável livro sobre o tema da ética social e política intitulado «Ética e Política».
Professor nas melhores universidades, sempre enfatizou a importância da obra dos intelectuais num mundo cada vez mais mecanicista e desumano.
Vem a falecer em 17 de Abril de 1996, depois de agraciado com inúmeros prémios e honras. Foi-lhe também concedida uma rua em Madrid, na Cidade Universitária que possui as Faculdades de Filosofia, Historia, História da Arte, etc., e sempre aprendi com ele, quão pouco interessam as consagrações, recordo mesmo as suas palavras a propósito delas « no estoy presentando mi candidatura a tal establishement ».
O Professor Doutor José Luis Aranguren deixou-nos uma obra notável também sobre o seu pensar face às mudanças de luz interiores a cada ser.
No hay , pues, un único estado de ánimo apto para el conocimiento. Pero hay, sí, una jerarquía de estados de ánimo, y en lo alto de ella están – buen talante – la esperanza, la confianza, la fe, la paz
Poderoso jurista, de tão madrugadoras ideias, nunca me resignarei apenas a transcrever as suas palavras, ainda que, hoje, aqui deixo um pouco de Aranguren no seu ensaio “ El Buen Talante”
La llamada «experiencia de la vida» pretende ser sin duda, un saber. Un saber referido al significado y sentido de la vida, es decir, a la moral, en la más amplia acepción de esta palabra. Un saber que, por ello, parece estar emparentado con esos saberes que denominamos «prudencia» y «sabiduría» y la palabra «prudencia» aparece hoy como equívoca, privada de toda fuerza sugestiva y anticuada, la pretensión de «sabiduría» suena a desmesurada, hierática y, en el fondo, ingenua.
A minha dívida a Aranguren não se paga. Foi mão distinta, a dele, quando segurou a minha pelos olhos de um Saber para lá do ouro e me disse:
Recordar el deber de decir «no» a la injusticia constituye el concepto – y la realidad – central de la ética.
E estas palavras foram e serão sempre a proposta da mudança radical. E confirmei por elas o quanto o sonho está em contacto com o conjunto de todos os sonhos possíveis.
M. Teresa Bracinha Vieira
Junho 2014
