Que a rainha morreu no contexto de uma luta
E que lhe foi dada a versão de uma lenda
Que o golpe derradeiro afiançou
Que a história comum tornou surpreendente
Pois que a cena final se sonhou mesmo presencialmente
Que grande fora a dignidade e a coragem no frente a frente
E a peça abre
Com um sono a dormir atento
Enquanto a cor do vestido
Fixa a tonalidade do drama que veio contar-se ao mundo
Sem fardo
Sem resumo de outra descendência
Só um sono à procura de um refúgio
E logo se abre o pano
E se acorda o sonho arauto em breve cena
Que antecipa
Uma tão invulgar firmeza
Tutora
Das suplicantes mãos
Em oração
Pela recusa do infortúnio
Motivo razoável
Para que a fala se inicie
E expulsas-me do teu território na fronteira do meu regresso?
Vai sono para que a verdade desde o início se torne evidente.
Vai
Vai ouvir os argumentos que relatam falsas nobrezas do amor
Vai que é mensageiro o sono que abandona no altar
A pedra
Propícia
A suportar a resposta de um oráculo.
M. Teresa Bracinha Vieira
Julho 2014
