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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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TEMPO DE FÉRIAS…

 

TEMPO DE FÉRIAS… MEMÓRIA DO “CAVALEIRO ANDANTE”

MEMÓRIA DO “CAVALEIRO ANDANTE”

Nesse tempo havia uma especial expectativa pelo sábado, momento de chegada do “Cavaleiro Andante”. Com sofreguidão liam-se os continuados, as séries históricas e de aventuras, as páginas humorísticas – em suma, tudo!

Nas férias, era um pouco mais complicado, uma vez que no Algarve era difícil de encontrar a revista. Mas o meu pai, incansável, enviava-nos nuns rolinhos de papel pardo, que chegavam no início da semana (os correios eram rápidos), os números da revista. A abertura desse tesouro era uma liturgia. E a cor da capa ressaltava em toda a sua magnitude. O exemplo que hoje reproduzo é indiscutível.

Aqui está Sherlock Holmes com as personagens fundamentais de um novo continuado que dava os primeiros passos. A autoria da capa é de Fernando Bento (1910-1996), que considero com Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005) um dos grandes clássicos portugueses da BD. Aqui estão todas as características e qualidades de Bento – o traço inconfundível, capaz de interpretar o carácter e a psicologia, a criteriosa escolha da cor, a segurança irrepreensível, capaz de dar vida, realismo e romance à ilustração.

Devo dizer que a literatura e a ilustração para jovens exigem um domínio muito especial da técnica e da arte. Tudo importa e não é aceitável para um jovem, de atenção desperta, um erro de movimento ou de perspetiva. E Fernando Bento era muitíssimo cuidadoso nesses campos. Olhando para Lucy Parr e para Mary Holder compreende-se todo um mundo de diferenças e de distância… Percebemos a virtude e a perversidade.

Durante as férias havia maior disponibilidade para ler tudo… E as histórias de quadradinhos eram uma magnífica introdução para a literatura a sério – Moby Dick, Beau Geste… Adolfo Simões Müller teve, aliás, a grande qualidade de ser muito criterioso na escolha de desenhos e escrita de qualidade. Por isso o «Cavaleiro Andante» (1952-1962), na sequência do «Diabrete» (1941-1951) foi um caso especial nesta arte.

Essa a memória que hoje recordo. Não esqueço, obviamente, «O Papagaio» (1935), «O Mosquito» (1936) e o «Mundo de Aventuras» (1949), mas o meu tempo foi o do «Cavaleiro Andante»…

 

CNC

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