Rimbaud o adolescente que apelou à necessidade de «se ser absolutamente moderno.»
Poeta que escreve o essencial da sua obra entre os 16 e os 19 anos e que se reconheceu na missão que lhe cabia na sua pertença ao que ele chamava de «mundo trespassado».
Nasceu em 1854 e ainda hoje a sua escrita tem o carácter original das visões e o modo como só elas sabem explorar os limites.
Não é vulgar tentar pensar um poeta através dos seus poemas, e, no entanto, é precisamente este o exercício que Yves Bonnefoy ofereceu de Rimbaud fazendo-lhe dialogar escrita e silêncio e vida.
«Para entender Rimbaud leia-se Rimbaud» é a divisa de Bonnefoy.
E num saber iniciático lá no alto bem dentro do sótão, conheceu-se mundo e ciências e Oriente e amor de tristes olhos azuis e “um jovem Shakespeare” tudo influenciou de lés a lés, e Paul Verlaine, também num ocioso movimento decadente, terá entrado solícito para a mansão dos pintores passados e futuros e foi ponto assente que muito se viu do quanto basta.
Havia então que estar de partida.
I
Aos dezassete anos, não somos para nos levar a sério.
– Uma bela tarde, fartos das cervejas e limonadas,
Dos cafés barulhentos de lustres rutilantes!
– Acolhemo-nos às tílias verdes junto à estrada.
Atenta ao tesouro, encontrei-te Arthur Rimbaud na sequência e na consequência.
E não és o caos! Quanto muito a estupefacção esperou-te cedo e tu, morgado de um céu pardo e parco.
Teresa Bracinha Vieira
Dezembro 2014

