Uma apreciação da peça de teatro "Poltrona" de Cláudia Lucas Chéu, por João Guimarães.
tenho quase a certeza que isto não vai correr bem. podia ser o ponto de partida para a poltrona. a vida num limbo entre o que queremos ser, o que somos e o que vamos sendo. a luta interior constante entre nós e nós. as marcas do passado que não nos deixam ver o futuro e o presente que nunca mais passa. a auto-comiseração que nos consome e nos refreia, o adiamento da vida que nos impomos e a secreta esperança de um drama em vez de uma tragédia, porque tudo há-de acabar bem.
o monólogo para uma mulher representado por três representa-nos a todos e obriga-nos a pensar. porque hoje em dia, pensar é uma actividade de luxo.
João Guimarães, Janeiro de 2009