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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A TRADIÇÃO DE TEATROS EM VILA REAL

 

Vila Real de Trás os Montes conservou, desenvolveu e renovou uma tradição de edifícios de espetáculo e atividades teatrais e musicais que vem, como vocação de espetáculo e ensino, pelo menos do século XIX: desde a construção, exploração e renovação de teatros, de que é exemplo e modelo de arquitetura moderna o recente Teatro Municipal, projeto do Arquiteto Filipe Oliveira Dias, inaugurado em 2004, até à tradição camiliana da estreia da peça “Agostinho de Ceuta” em 1846 – pois com o drama de Camilio inaugurou-se um então chamado Theatro de Vili Real, propriedade de João Pinto da Cunha, tio do escritor.

A gravura que até nós chegou deste velho Theatro oitocentista evoca uma eventual Igreja que antes lá terá existido: e não seria caso único no interior, então distante, do país.

Com efeito, assinala-se a existência de uma sucessão de Teatros em Vila Real. Fica a memória e documentação histórica de sucessivos edifícios vocacionados para o espetáculo, seja teatral, seja musical, como dissemos e adiante melhor veremos, e isto antes e depois do cinema. Cite-se designadamente, além dos referidos, um Teatro Avenida e um Cine-Teatro Real.

Em qualquer caso, a inauguração do atual Teatro de Vila Real, datada como vimos de 2004, assinalou a tradição camiliana através de um painel de cerâmica da autoria de João Botelho. Camilo viveu alguns anos em Vila Real, onde se fixou aos 10 anos, e lá casou em 1846 com Joaquina Pereira. E em 1851 escreve “O Lobisomem”, comédia de costumes “passada na Província de Entre Douro e Minho”.
 

O Teatro ostenta ainda uma escultura de João Rodrigues, num espaço teatral complexo, que abrange uma sucessão de salas de espetáculo, a partir do conjunto do Grande Auditório e do Auditório Exterior os quais, quando ligados, representam algo como cerca de 1200 lugares, o que é de fato notável.
 

E mais: o Teatro comporta ainda o chamado Pequeno Auditório, com lotação de 150 lugares, a que acresce um denominado Café Concerto com lotação de 80 lugares, uma Galeria-Bar com 50 lugares e ainda uma sala de ensaios e uma área museológica onde se instalou o chamado Museu da Imagem e do Som. Isto, além das instalações de cena, os camarins e o fosso de orquestra amovível.
 

É realmente assinalável, num edifício teatral-musical: e tenha-se presente ainda a própria integração geo-cultural, que se estende a toda a região e tanto em Portugal como em Espanha. Daí, a notável programação do Teatro de Vila Real.
 

Ora bem: dentro desta linha de construção/requalificação/adaptação de edifícios vocacionados, antes ou agora, para o espetáculo e formação cultural, há que referir o que se passou com o Conservatório Regional de Música de Vila Real: até porque não se exclui a ligação direta ao camiliano “Agostinho de Ceuta” acima referido. Na verdade, segundo o Arquiteto Belém Lima, autor do projeto, o Conservatório terá herdado a localização e parte da edificação do antigo Convento de São Domingos, que vem dos séculos XVI/XVIII e que foi sucessivamente hospital, quartel, hospedaria, e edifício de espetáculos teatrais e musicais.

Trata-se de um projeto em que a vocação e a modernidade não prejudicam, antes pelo contrário, a linha tradicional do edifício e sobretudo a sua funcionalidade artística: insista-se – antes pelo contrário!  


DUARTE IVO CRUZ 

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