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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A FORÇA DO ATO CRIADOR

 

Gillian Ayres e a pintura visual intensa.

 

When you know what you are doing, it stops being exciting.‘, Gillian Ayres

 

Gillian Ayres (1930) desde cedo encontrou liberdade através da abstração. Em 1943, a ambição pela pintura iniciou-se com a descoberta de Van Gogh, Gauguin, Cézanne e Monet. 

 

Em meados dos anos cinquenta, Ayres é considerada uma das pintoras britânicas mais audazes. Ao derramar tinta na tela, disposta na horizontal, seguia as referências dos pintores norte-americanos, tal como Pollock. 

 

Ayres, desde sempre entende a tela como uma área na qual deseja atuar obsessivamente. Nada é planeado. Tudo é intuitivo. Para Ayres, pintar é uma outra maneira de pensar.

 

‘I’ve changed from hard board and pouring paint to canvas where I would take hands full of paint.’

 

A partir dos anos oitenta, objetos, formas e marcas flutuam num espaço saturado. A exuberância das cores e a espessura da tinta corresponde ao desejo de se criar uma experiência visual e física intensa. A pintura não é literal, nem verbal, é emoção pura. É marca, é cor, é tinta, é vida. E entende-se assim que a descoberta do que se quer pintar vem do ato de fazer.

 

There was a time when I went to India people started seeing this, maybe, tree line or something. You tell me I am unconscious of it. It is this visual language it is really what we are looking at, I think. I never use something in nature directly, but God knows what gets into you.’

 

As formas/marcas são quase identificáveis, mas devem sim pertencer somente ao olhar.

 

Nos anos sessenta, solicitada pela Tate, Gillian Ayres fez uma seleção dos elementos que mais a influenciavam enquanto pintora – o resultado é bastante eclético e inesperado. A seleção incluía pudins, moldes de gelatina, gelados, bolos, líquenes e algas marinhas, conchas, capacetes emplumados e os chapéus de Uccello.

 

Sendo assim, Ayres enquanto pintora concretiza:

 

– a ideia de que o sujeito é a própria obra. 

– um processo em constante mutação (é uma pintura que assume diversas direções ao longo de décadas).

– o descobrir através do fazer. 

– a transformação de uma cor para outra.

– a afirmação de uma linguagem nova e extremamente singular e única (a aproximação recorrente e intencional ao modernismo). 

– um universo puramente visual (que não é preconcebido, nem necessita ser justificado).

 

‘I think of the canvas as a whole image and space – an essence – perhaps like the space a sailor of Magellan’s would have felt when the world was flat and he had sailed off the edge.’, Gillian Ayres

 

Ana Ruepp

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