
No sopé do mundo
Contaram-me uma noite
Uma fábula verdadeira
Vinha ela dos afagos de uma alma
E de uma mão minha laçada à entrada de um deserto.
Disse-me o estrangeiro:
O teu início
Aquele que errou pelo meu peito durante toda a noite
Descobriu-me entre duas guerras:
A que me impediu que a respiração se unisse enquanto sonho
E a outra que em mim tu cantaste e em ti me quis
Solitário
Exposto à chegada de todos os exércitos
Antecipando a época
Da grande viuvez.
E eis-me assim e agora
A lavar com leite
As faces escarpadas
Dos recifes
Sem te aprisionar
Em mapa algum
Mas procurando-te
Teresa Bracinha Vieira
Maio 2017