
Olhei e vi
O que não gostei
E de mim não perdoei
O que noutros
Encontrei
Igual
Todos julgam
Julgar o que não julgam
Julgando
Apartam-se do similar ou diverso
Como se a diferença
Em profundidade
Existisse
Pobres somos
Pois todos tão perto
Do lago
Onde morreremos
Num afogamento
Trôpego e heroico e nada
Só agua
Que enfim é mesmo
Uma realidade
Verdade da natureza
Daquela que tudo sabe
E nós
Nem do amor
Fábula
Máscara
Conhecemos caminho
Tu
Só tu
Só eu
Só lágrimas unidas
Um dia
Quando a bater
O coração parou
Na direção
Da estrada esperançada
Que ainda não nos
Reconheceu
E ainda assim
Bate, bate na minha alma
Um nascimento
Poesia
Teresa Bracinha Vieira
Janeiro 2018