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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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A FORÇA DO ATO CRIADOR

 

Uma breve aproximação à Pintura, segundo Júlio Pomar.

 

‘Assim a pintura veste uma aparência de quadro, pedaço solto do universo de repente insólito como um grande plano retirado de um filme.’, Júlio Pomar 

 

A pintura para Júlio Pomar é uma revelação. É uma descoberta de algo que já existe mas que está coberto. É um diálogo aberto do artista consigo próprio. Mas também uma operação de síntese em que com toda a honestidade se mostra o fazer, o desfazer, o refazer e o nada a fazer. 

 

‘A pessoa vai-se fazendo como se desfaz.’, Júlio Pomar

 

A pintura sucede assim por aproximações, por escolhas e sucessivas seleções, porque nada é posto de parte. Para Pomar existe sempre uma simultaneidade de opções e tentativas. Ao conjunto de marcas, que se vão definindo com mais ou menos precisão, adiciona-se o poder do artista em fazer aparecer uma imagem. O processo, a maneira de descobrir, tudo vale a pena ser revelado numa pintura. Isto porque a imprecisão e a interrogação faz parte da procura. Uma pintura mesmo acabada é sempre um estado de matéria débil, frágil e momentâneo. 

 

Não é o motivo, o tema, o assunto o que me interessa: é o que se passa entre mim e o motivo.’, Claude Monet

 

Pintura para Pomar é uma maneira de entendimento e de participação no mundo – é um corpo a corpo com a matéria e com as analogias ou diferenças que determinam a aparição de uma imagem. A marca na pintura aparece antes da palavra, aparece através da difícil relação entre o fácil e o tempestuoso, entre o lugar comum e a exceção. Na tela, a tinta e a sua espessura, a mão e o pulso confrontam-se, e transformam o acidental e o pensado em volumes e sombras. A tela permite a abertura e a progressão do corpo e da matéria. Fixadas estão as dúvidas assim como as certezas e é nesse espaço movediço que se descobre o sentido da obra e a sua capacidade de espantar.

 

‘O real para mim, corresponde, digamos, à exaltação de um sentimento vital. O real para mim é a aparição do milagre. O milagre, para mim, é a gente ser capaz de querer viver e de querer sentir bem a viver. É tão raro que vale a pena chamar-lhe milagre.’, Júlio Pomar

 

Ana Ruepp

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