auto_stories

Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

news

Subscrever por e-mail

Receberá apenas novas publicações - no máximo, um e-mail por dia.

EVOCAÇÃO DE IONESCO EM PORTUGAL

 

Há anos, tive ensejo de evocar a primeira estadia de Eugène Ionesco em Portugal, numa visita, que tive o gosto de acompanhar, então como jovem estudante de Direito mas também como aluno-ouvinte da Secção de Teatro do Conservatório Nacional, visita essa ocorrida em 1959, portanto há exatos 60 anos.

 

Ionesco completaria 50 nesse mesmo ano. Filho de pai romeno e de mãe francesa, a sua vida pessoal e profissional dividiu-se entre os dois países até ao inicio da guerra: tinha regressado a França em 1938 e a partir daí assume-se como dramaturgo francês e como tal renovou por completo a dramaturgia a nível internacional, no que se chamava de início, passe a ironia da expressão, o “anti-teatro”…

 

Seria eleito membro da Academia Francesa em 1970.

 

Esteve em Portugal pela primeira vez nesse ano de 1959 para assistir à apresentação de um espetáculo de Jacques Mauclair no então Festival de Sintra, onde foram representadas, por uma companhia francesa, e obviamente em francês, “La Leçon” e “Les Chaises”. Pode-se imaginar o impacto, dado o ambiente então dominante: e no entanto o sucesso foi indiscutível e Ionesco voltaria e muitas vezes seria encenado.

 

Ora, é relevante referir as ressalvas do próprio Ionesco à designação consagrada e hoje corrente de “teatro do absurdo”: para ele, o teatro não era absurdo. Quanto muito, seria insólita a situação dramatizada.

 

De 1950 a 1975, Ionesco escreveu 29 peças, 7 ensaios e 4 romances. Foi traduzido e representado praticamente em todo o mundo.

 

E entretanto, a memória que guardo de 1959, é a de uma pessoa notável em todos os aspetos, isto na experiencia do longo passeio por Lisboa que Manuel Ivo Cruz meu irmão e eu próprio proporcionamos a Eugène Ionesco e a sua mulher, e de que conservo recordação e também a fotografia que aqui se reproduz!

 

 

DUARTE IVO CRUZ

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *