Carlos Pinto Coelho ainda nos falava de um tempo de sacralização das referências literárias em que sendo superabundante, em qualidade, a experiência literária constituía uma recriação permanente numa realidade que acontecia.
Com a profunda admiração que Carlos Pinto Coelho nutria por Vitorino Nemésio, com essa mesma poderosa assunção de que a literatura poderá ser sempre o primeiro berço simbólico da nossa vida, assim, surgia-nos no programa Acontece a expressão de um real dotado de uma força que, às vezes, o próprio real não tem.
Foi sempre difícil neste nosso panorama televisivo saber, através de um discurso bem comunicativo , no melhor estilo da palavra, captar a atenção para o mundo dos livros e o resultado de nele entrarmos.
Julgo que Carlos Pinto Coelho, numa eternamente diferida esperança, demonstrou a tempo, o quanto é superável o princípio de todas as impossibilidades.
Publicado em 1959, Aparição permanece um dos romances mais importantes do século XX português. Permaneceu também como tendo sido o livro da inquietação de Carlos Pinto Coelho, inquietação que permanecerá uma ilha suculenta em televisão através do programa Acontece na nossa memória.
Assim se enfrenta com coragem a apatia.
M. Teresa B. Vieira
16.12.10