
Seja permitida uma nota pessoal: muito recentemente, recebemos um livro de António Braz Teixeira, intitulado “A Vida Imaginada – Textos sobre Teatro e Literatura” que, tal como o título indica, contém e desenvolve numerosas referências e citações, estudos e análises, a dramaturgos, espetáculos e edifícios que, no seu conjunto, marcam a evolução global do espetáculo no que envolve a sua própria complexidade: textos, intérpretes, espaços e edifícios próprios ou adaptados, e público a assistir…
Na verdade, o teatro é espetáculo a partir de texto. E nesse aspeto, o livro de António Braz Teixeira é perfeitamente concreto, na medida em que cruza os textos com a potencialidade dos espetáculos. E transcende mesmo que episodicamente a expressão teatral propriamente dita, integrando-a no universo global da cultura.
E isto, numa perspetiva que dá óbvia prioridade ao teatro de autores portugueses, mas sem descurar tanto a referência a outras origens, como sobretudo a convergência cultural e histórica inerente. E isto, numa perspetiva que em si mesma transcende a cultura teatral propriamente dita, mas vai buscar a raízes histórico-culturais as fundamentações dessas convergências.
Sendo certo, entretanto, que a fundamentação histórica em si mesma pode justificar certas convergências. Desde logo, designadamente mas não só, no que respeita a autores de raiz histórico-cultural convergente.
E aí, destaca-se obviamente o teatro brasileiro e o teatro das ex-colónias africanas. Mas há que referir também estudos sobre dramaturgos e peças de origem espanhola e francesa. E não só: os exemplos vindos de outras culturas também sobressaem. E amplamente se justificam na globalização da cultura teatral.
Basta ver desde logo os exemplos que surgem no texto inicial, denominado “Breve Reflexão sobre a Tragédia”. Independentemente da apreciação propriamente dita, as referências abarcam Eugene O’Neill, Arthur Miller, Tennessee Williams, Edward Albee… o que não significa, note-se bem, que estas e outras tantas alusões impliquem qualquer divergência ao temário global da obra em si. E nesse aspeto, o livro é simultaneamente abrangente e coerente.
E no que respeita ao teatro português? Aí, a análise impõe-se como dominante, desde logo a partir de um texto iniciático, de abordagem teórica que desenvolve amplamente o historial de Gil Vicente a José Cardoso Pires, e cobrindo os grandes nomes da nossa dramaturgia.
Envolve ainda estudos sucessivos sobre a Renascença Portuguesa antecipando-a pelo neo-romantismo, o realismo e o simbolismo. E aí, o destaque vai para D. João da Câmara, Marcelino Mesquita, Manuel Laranjeira, Júlio Dantas, Teixeira Gomes e Henrique Lopes de Mendonça.
E segue-se, no mesmo capítulo, mais umas dezenas de dramaturgos, na perspetiva do simbolismo, do saudosismo e de outras estéticas, até à contemporaneidade.
Com destaque para António Patrício, Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Correia de Oliveira e Raul Brandão, entre outros mais, como José Régio, Miguel Torga, Luis Francisco Rebello, Agustina Bessa-Luís, Jaime Salazar Sampaio, Norberto Ávila…
E aqui e agora, só citamos os dramaturgos portugueses. Porque, insista-se, o livro abrange todo um conjunto de referências e análises a autores, obras, estilos e épocas.
DUARTE IVO CRUZ
Boa Noite
Informe-me, por favor. Este autor publicou mais alguma obras acerca de teatro? Obrigado.
Agradecemos o cuidado do nosso amigo Daniel José. A obra referida de António Braz Teixeira foi publicada em 2020 pela editora MIL. raz-teixeira/6676
“A Vida Imaginada – Estudos sobre Teatro e Literatura”
Está inventariada pela Biblioteca Nacional de Portugal e tem o maior interesse, tratando como salienta Duarte Ivo Cruz sobre a cultura teatral. António Braz Teixeira e Afonso Botelho tiveram responsabilidades no Teatro Nacional D. Maria II. Daí a importância deste conjunto.
Neste link pode consultar alguma bibliografia do mesmo autor https://www.wook.pt/autor/antonio-b
CNC
Muito obrigado.