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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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PEÇAS POLÍTICAS E DE POLÍTICOS NO SÉCULO XX

Nesta altura de passagem de ano, e tendo em vista as mudanças radicais que ao logo do século XX se foram efetuando entre nós (e não só…) é interessante evocar aqui algumas intervenções dramatúrgicas de autores que marcaram a política, designadamente tendo em vista as mudanças profundas que entretanto ocorreram. E isto, destacando o conservadorismo que, como bem sabemos, marcou o longo período do então chamado Estado Novo.

Nesse sentido, desde logo assinala-se que alguns dos mais relevantes interventores da vida política nacional antes de 1974, no regime e na oposição como na época se classificava, exerceram também, ainda que esporadicamente, atividades de criação artística-dramatúrgica. As referências breves que aqui fazemos integram-se pois nessa evocação histórico-político-dramatúrgica.

E começamos pelo mais inesperado…

Com efeito, o próprio Oliveira Salazar é autor de pelo menos uma peça histórica a que chamou “Egas Moniz”.

Mas em contrapartida, digamos assim, Humberto Delgado é autor de pelo menos quatro peças: as radiofónicas “28 de Maio”, “A Marcha para a Índia” e “Mariana Alcoforado ”e ainda “Asas”.

Seria interessante recuperar estes textos, para ver até que ponto uns e outros consubstanciam as posições políticas, assumidas antes e depois.

Num plano distinto no que respeita à dramaturgia, encontramos uma lista de peças escritas por Henrique Galvão.

Temos desde logo sintomaticamente uma peça datada de 1932 e chamada precisamente “Revolução”. Ora é interessante assinalar que se trata de um texto marcado por uma vocação africanista em si mesma coerente com a intervenção política do autor. E é também interessante recordar que Galvão escreveu ainda pelo menos mais duas peças de temática africana: “O Velo de Oiro” (1936) e “Colonos”(1939).

E citam-se ainda mais diversas peças de Henrique Galvão: “Como se Faz um Homem” (1935), “Farsa de Amor” (1935 – em colaboração com Carlos Selvagem), “Comédia da Morte e da Vida” (1950) e “Um Caso Raro de Loucura” (1950), esta preconizando já, na crítica social e política inerente, o corte com o regime que se iria concretizar.

Ora, será também oportuno referir que o teatro de Henrique Galvão levantou reparos no que respeita à sua qualidade: e isto, sem qualquer preconceito de ordem política.

Luiz Francisco Rebello, na “História do Teatro Português” põe reservas à dramaturgia de Galvão. Evoca “A Farsa”, “Revolução”, e uma versão cénica do seu romance colonialista “O Velo de Oiro” e uma sátira de costumes de título e projeto ambiciosos mas de realização frustre, “Comédia da Morte e da Vida”…

Acrescentaremos que Henrique Galvão colaborou em “Farsa de Amor” (1950).

Ora bem. Dada a natureza e as implicações do espetáculo teatral, mais se registam intervenções criativas ou críticas no teatro português.

 

DUARTE IVO CRUZ

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