CARTAS NOVAS À PRINCESA DE MIM / EM REBUSCA DO JAPÃO XV
Minha Princesa de mim: Será por se dispersarem Que as flores da cerejeira Nos são tão queridas, Neste mundo tão efémero […]
O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.
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Minha Princesa de mim: Será por se dispersarem Que as flores da cerejeira Nos são tão queridas, Neste mundo tão efémero […]
Minha Princesa de mim: Acho interessante a perspectiva de um certo olhar de Augustin Berque (cf. Le sauvage et l’artifice: les Japonais devant la nature, Gallimard, Paris, 1986), ao colocar a sociedade, para efeitos de análise, como distinta do seu ambiente. Com este ela manterá certas relações: ecológicas, técnicas, estéticas, axiológicas e […]
Desde que tenho o Notas de Cabeceira – de Sei Shonagon, dama da corte imperial do Japão em Heian, no século X/XI – como meu livro da cabeceira, que venho sonhando à noite no que poderia ser a minha vida, ou a de qualquer contemporâneo meu, num mundo tão distante do nosso coevo… Não apenas no tempo, mas no modo […]
Como está escrito nos Contos de Genji, o caminho do amor neste mundo escapa à razão… Saikaku evoca esta suposta citação da célebre novela de Murasaki no seu famoso Gonin Onna, histórias de cinco mulheres apaixonadas. Não encontro tal frase no romance do século X, mas devo-lhe um melhor entendimento das intenções do romancista Ihara Saikaku quando, […]
A palavra japonesa ukiyo designa originalmente o mundo passageiro, por oposição à substancial realidade que só o budismo revela. Voltarei a tal conceito, tentando esclarecê-lo melhor. Quando a esse vocábulo se junta o sufixo e, quer-se referir a pintura, gravura ou estampa, imagens representando esse mundo inconsistente, fugidio, flutuante… Ukiyo-e é assim, desde cerca do ano de […]
Shintoísmo é palavra japonesa datada do século VIII, já depois da introdução do budismo no Império do Sol Nascente, para designar o conjunto de crenças nativas que compunham e sustinham, nas mentes nipónicas, a visão do universo e do ser humano que o habitava e lhe pertencia. Etimologicamente, formara-se das expressões sínicas shin […]
O segundo capítulo de Relance da Alma Japonesa, de Wencesalau de Moraes, intitula-se A Linguagem e começa assim: A linguagem é a tradução do pensamento, do sentimento, do indivíduo, como de um povo. O homem, como o povo, fala para manifestar o que ele pensa, o que ele sente. A linguagem de um povo não […]
O japonês tem três palavras para dizer família: ie, kazoku e setai, todas elas exprimindo a ideia de corporação familiar que laços de sangue ou de adoção reúnem à volta de um património. Mas apenas ie significa sozinha a ideia de casa e de continuidade, já que, sendo a designação mais antiga de […]
A metamorfose de L’homme et son désir em La Femme et son Ombre, de que falam textos anteriores desta Rebusca do Japão, é um interessante exemplo de aculturação, que também nos faculta melhor compreensão da capacidade nipónica de se debruçar sobre outras culturas e lhes abrir os frutos que irá “digerindo” na […]
… como numa pauta de música em que cada acção se inscreve numa linha diferente… diz–nos Paul Claudel ao descrever como imagina a cenografia do seu balé L’Homme et son désir, onde no degrau mais alto desfilariam, todas negras e toucadas de ouro, as Horas da noite. Logo abaixo, a Lua, guiada através do céu por uma nuvem, aia precedendo uma grande dama. E mesmo em baixo, nas águas […]