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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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5ª CRÓNICA DE ALBERTO VAZ DA SILVA NA “GRÉCIA DE SOPHIA”

 

NAXOS

 

 

A travessia para Hidra e a pequena viagem de lancha até ao restaurante do almoço à beira-mar foram o baptismo do Egeu, nesse dia translúcido de azul cobalto. A seguir foi tempo de despedida do guia grego, Panagiotis, que nos acompanhou numa volta rápida pela ilha e reencontraremos no regresso a Atenas. Embarcamos no Panorama II, belo veleiro moderno e confortável; alguns tiveram uma noite de reconhecimento das constelações circum-polares e do Zodíaco, do Leão, passando pela Virgem, Balança, Escorpião e Ophiucus, até ao Sagitário. Ainda Arcturus e Saturno.

 

Desembarcamos na manhã seguinte em Naxos. O guia local é um velho marinheiro que nos leva ao inacabado Templo de Apolo sobre o mar. José Pedro Serra fala sobre Teseu e Ariadne, também da intervenção de Dionísio, e quando nos propomos traduzir ao experimentado  lobo do mar ele diz-nos ter entendido tudo, pois ia seguindo as raízes greco-romanas das palavras portuguesas.

 

Conduziu-nos ao Templo de Deméter que domina uma paisagem verdejante e fértil – erigido para que perdure a abundância. São maravilhosas as colunas e figurinhas fragmentadas conservadas no museu em frente. As telhas do Templo e os barrotes eram igualmente do mármore cristalino da região, o que é dizer tudo sobre o culto da luz e da claridade. O canto pujante das cigarras também elas férteis era ensurdecedor.

 

Passamos pelas catedrais, católica romana e ortodoxa. Na primeira, “dedicada a Jesus Cristo”,  o guia faz girar um ícone reversível, representando de um lado a Virgem Maria, do outro S. João. Boa pintura dedicada a S. Roque e à Árvore de Jessé e, no pavimento, túmulos de nobres famílias venezianas que viveram na ilha.

 

Na segunda, depois de percorrido o “Kástro” fortificado, alonga-se o ancião sobre os legados de Catarina da Rússia e as belas peças preciosas que iluminam o culto. Foi com grande amor que nos conduziu pelo santuário que acima de tudo venera e onde deixou acesa uma vela, quem sabe se em nossa intenção.

 

Assombrou-nos acima de tudo o museu arqueológico, com dois belos kouroi arcaicos e uma das mais importantes colecções de figurinhas cicládicas e de cerâmicas das ilhas gregas.

 

Ponto alto da viagem, em muito sentidos. 

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