228. QUANDO A “GRANDIOSIDADE” E O “PODER” DIMINUI E SE ESVAI
Será escandaloso e incompreensível, para muitos, nomeadamente para aqueles que se têm como “imprescindíveis” e “insubstituíveis”, que um dia também tenham de partir.
Se pudessem, seriam eternos, não teriam doenças, viveriam para sempre, não morreriam, porque injusto.
Na sua “grandiosidade” não se sentiriam pacientes a ir ter com a cura.
Na sua “grandiosidade” não se sentiriam merecedores de que, algures no tempo, a senhora Dona Morte tenha de ir ter com eles e o inverso.
Faz parte do processo que o doente aceite que é um doente.
Faz parte do processo que o paciente aceite que é um paciente.
Faz parte do processo que o ser humano aceite que é mortal.
Se de pessoas “imprescindíveis” e “insubstituíveis” estão os cemitérios cheios, por que razão a “grandiosidade” e o “poder” de alguns seria “imprescindível”?
Ao que parece, a cura só começa quando a “grandiosidade” e o “poder” diminui. Aparentemente, o fim só começa quando a “grandiosidade” e o “poder” se esvai.
Em tais momentos, desce-se tanto na hierarquia e no poder, que somos todos vulgares e iguais.
03.10.25
Joaquim M. M. Patrício