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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


228. QUANDO A “GRANDIOSIDADE” E O “PODER” DIMINUI E SE ESVAI

Será escandaloso e incompreensível, para muitos, nomeadamente para aqueles que se têm como “imprescindíveis” e “insubstituíveis”, que um dia também tenham de partir. 

Se pudessem, seriam eternos, não teriam doenças, viveriam para sempre, não morreriam, porque injusto.

Na sua “grandiosidade” não se sentiriam pacientes a ir ter com a cura.     

Na sua “grandiosidade” não se sentiriam merecedores de que, algures no tempo, a senhora Dona Morte tenha de ir ter com eles e o inverso.         

Faz parte do processo que o doente aceite que é um doente. 

Faz parte do processo que o paciente aceite que é um paciente.

Faz parte do processo que o ser humano aceite que é mortal. 

Se de pessoas “imprescindíveis” e “insubstituíveis” estão os cemitérios cheios, por que razão a “grandiosidade” e o “poder” de alguns seria “imprescindível”?       

Ao que parece, a cura só começa quando a “grandiosidade” e o “poder” diminui. Aparentemente, o fim só começa quando a “grandiosidade” e o “poder” se esvai.

Em tais momentos, desce-se tanto na hierarquia e no poder, que somos todos vulgares e iguais.    


03.10.25
Joaquim M. M. Patrício

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