NÚCLEO
James Turrell
Como noites, as noites voltavam a arrefecer.
Nas noites de lua cheia, viajávamos sempre juntos, viajávamos tanto que perdíamos o medo do fim, de qualquer fim.
Não conseguíamos esforçar-nos mais por uma coisa viva como aquela que vivíamos.
E sobrevivíamos sempre porque nos salvávamos de modo diferente, ou não nos tivéssemos amado tal como um homem e uma mulher de folhas.
Um jardim.
Árvore aberta numa cama de flores de braços e mãos
e entrávamos na eternidade.
Foi tudo tanto que um dia te senti um caos que não sabia passar sem mim, que era um caos só teu, mas com razão de dois, e significava que a fresta se dividia de com tanta força nos unir.
Mas tudo fragmentos da parte e não do todo.
Foram imensas emoções. Tudo nos entrou pela janela aberta, por aquela por onde aparece o núcleo, aquele único mundo que nos diz que os humanos devem aprender a amar-se, mesmo quando não responder possa querer dizer muitas coisas,
e a ternura, a ternura
uma réplica de um romance russo.
Realidade.
Realidades que têm o desaforo do amor e o acesso cor de carmim às glórias, e nós por lá também.
As macieiras carregadas, pacientes, reconquistam-nos em tudo,
e tanto é o que não nos pertence como aquilo em que nos temos
e é por isso que escrevo
Teresa Bracinha Vieira
Adorei o texto poético Núcleo, bem como as outras leituras para ler.
Gostava também de lhe mostrar um pequeno poema que me saiu do núcleo? não vazio, mas magoado, e na altura escrevi imediatamente no quadro preto do gabinete:
VIDA
quando na tua alma
colherem uma flor
não o lamentes
o caule seccionado
logo rebentará
e a flor em terra seca
cedo murchará.
Muito sensibilizada lhe agradeço as suas palavras e o seu sentir e o seu poema.
E sim, há tantas leituras a que o Núcleo se gostaria de oferecer.
Os chineses veem as horas nos olhos dos poemas porque são horas vastas, dizem.
Boas leituras.