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Sobre o blogue

O blogue "Raiz & Utopia" é espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Retomamos o projeto da revista “Raiz e Utopia” fundada por António José Saraiva, Carlos Medeiros e José Baptista em 1977, cuja direção foi assumida por Helena Vaz da Silva, tornando-se uma referência na cultura portuguesa, pelo carácter inovador e inconformista, reunindo colaboradores como Edgar Morin, Eduardo Lourenço, António Alçada Baptista e Alberto Vaz da Silva.

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Crónica da Cultura

CRÓNICA DA CULTURA

NÚCLEO 

  
    James Turrell

Como noites, as noites voltavam a arrefecer.

Nas noites de lua cheia, viajávamos sempre juntos, viajávamos tanto que perdíamos o medo do fim, de qualquer fim.

Não conseguíamos esforçar-nos mais por uma coisa viva como aquela que vivíamos.

E sobrevivíamos sempre porque nos salvávamos de modo diferente, ou não nos tivéssemos amado tal como um homem e uma mulher de folhas.

Um jardim.

Árvore aberta numa cama de flores de braços e mãos

e entrávamos na eternidade.

Foi tudo tanto que um dia te senti um caos que não sabia passar sem mim, que era um caos só teu, mas com razão de dois, e significava que a fresta se dividia de com tanta força nos unir.

Mas tudo fragmentos da parte e não do todo.

Foram imensas emoções. Tudo nos entrou pela janela aberta, por aquela por onde aparece o núcleo, aquele único mundo que nos diz que os humanos devem aprender a amar-se, mesmo quando não responder possa querer dizer muitas coisas,

e a ternura, a ternura

uma réplica de um romance russo.

Realidade.

Realidades que têm o desaforo do amor e o acesso cor de carmim às glórias, e nós por lá também.

As macieiras carregadas, pacientes, reconquistam-nos em tudo,

e tanto é o que não nos pertence como aquilo em que nos temos

e é por isso que escrevo


Teresa Bracinha Vieira

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núcleo

2 comentários sobre “CRÓNICA DA CULTURA

  1. Adorei o texto poético Núcleo, bem como as outras leituras para ler.
    Gostava também de lhe mostrar um pequeno poema que me saiu do núcleo? não vazio, mas magoado, e na altura escrevi imediatamente no quadro preto do gabinete:
    VIDA
    quando na tua alma
    colherem uma flor
    não o lamentes
    o caule seccionado
    logo rebentará
    e a flor em terra seca
    cedo murchará.

    1. Muito sensibilizada lhe agradeço as suas palavras e o seu sentir e o seu poema.
      E sim, há tantas leituras a que o Núcleo se gostaria de oferecer.
      Os chineses veem as horas nos olhos dos poemas porque são horas vastas, dizem.
      Boas leituras.

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